O norte-americano Gregg Araki, figura central do movimento Novo Cinema Queer, vai voltar à carga com um tema recorrente na sua obra: o sexo. Prestes a lançar I Want Your Sex, o realizador de filmes como Nowhere (Em Nenhures, 1997) e Mysterious Skin (Pele Misteriosa, 2004) não poupa críticas ao estado do cinema atual. “Não há sexo. E isso é preocupante.”, disse o realizador ao jornal espanhol El Diario.
A provocação surge após Pedro Almodóvar elogiar Babygirl por trazer de volta a sexualidade ao cinema — algo que, segundo Araki, já não se vê nas produções contemporâneas. “Acabo de terminar I Want Your Sex, uma comédia sexual muito colorida”, explica. O filme, descrito como uma história sobre poder, desejo e relações complexas, acompanha a tensão entre um estagiário e uma chefe interpretada por Olivia Wilde, numa personagem inspirada em Madonna, uma artista feminista, provocadora e com uma prática artística profundamente sexual. “Eles iniciam uma espécie de relacionamento sadomasoquista. Isto refere-se precisamente a esta ideia, de que a Geração Z e os filmes contemporâneos não fazem sexo. Não há sexo”.
Araki reconhece a influência de Almodóvar no seu cinema, especialmente de filmes como Matador e A Lei do Desejo, que viu no início da sua carreira. “O sexo nelas era cru e autêntico.” E é essa vitalidade que sente estar a desaparecer — sobretudo entre a geração Z. “Ser jovem significa cometer erros, descobrir-se a si mesmo, ficar confuso, ter todas estas experiências e todos estes relacionamentos. Chegou a hora. Não podes deixar passar este momento, porque de repente têm 45 anos e nunca tiveram um relacionamento.”
Influenciado pela cultura punk, e sempre visto como um outsider no cinema independente, Araki vê o puritanismo como um mal maior, especialmente nos EUA. “Contratam estrelas lindíssimas, mas parecem assexuais. É como se tivessem a alma castrada. Não é saudável.”
Apesar de Hollywood o ter tentado com projetos de estúdio — incluindo uma comédia sexual, produzida por Drew Barrymore, que acabou por não concretizar —, Araki mantém-se fiel ao seu universo. “Não faria um filme da Marvel ou um daqueles que vão aos Óscares. A vida é demasiado curta e não quero fazer algo que não seja agradável ou interessante.”

