Irão pressiona realizador para retirar filme do Festival de Locarno

(Fotos: Divulgação)

O realizador iraniano Ali Ahmadzadeh, cujo “Critical Zone” vai ter a sua estreia mundial no próximo Festival de Locarno, está sob pressão e ameaças do Ministério da Segurança do Irão.

Filmado sem a permissão das autoridades iranianas, ainda antes do movimento “Mulher, Vida, Liberdade” despoletar uma série de protestos no país, “Critical Zone” é uma viagem ao submundo do Teerão, onde encontramos consumidores de drogas, prostitutas transexuais, comissários de bordo contrabandistas, jovens desertores e mães conservadoras.

Os meus filmes são principalmente sobre a nova geração e a sua vida aqui no Irão – uma vida que é por natureza em constante conflito com o poder político e sistema. O regime não quer que esse retrato seja mostrado ao mundo, visto que querem apresentar a imagem de um estado islâmico religioso tradicional para o exterior”, diz o realizador na sua nota de intenções, acrescentando que utilizou pessoas reais e não atores. “Na maioria das situações, tivemos que esconder a câmara ou fazer truques complicados para contornar as limitações. Fazer este filme foi uma grande rebelião. Mostrá-lo significa uma vitória ainda maior para nós”, disse Ahmadzadeh.

De acordo com Sina Ataeian Dena, responsável pela Luxbox, o realizador tem sido incomodado diariamente por um “interrogador“, através de mensagens de texto, além de receber “ameaças de fontes anónimas e todos os tipos de ataques e acusações surreais“. Certo também é que o cineasta foi proibido de deixar o país para assistir à estreia do filme em Locarno.

Critic Zone” será exibido no festival a 10 de agosto.

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