23ª Edição dos Prémios Goya consagra “Camino”

(Fotos: Divulgação)

Choveu intensamente, e foi uma noite intensa. A edição 2009 dos Goya, os prémios mais importantes do cinema espanhol, teve a maior audiência televisiva dos últimos quatro anos. Depois de, em 2008, Javier Bardem ter ganho o Oscar, este ano todas as esperanças estão depositadas em Penélope Cruz. Com a crise a acentuar-se por terras de nuestros hermanos, os espanhóis têm no seu cinema e nos seus actores um motivo de orgulho e satisfação, à medida que estes se tornam cada vez mais (re)conhecidos internacionalmente.

A noite consagrou como melhor o filme “Camino”, que arrecadou seis dos sete Goya para os quais estava nomeado, incluído Melhor Filme, Melhor Realização e Melhor Actriz Principal. O terceiro e controverso filme de Javier Fesser retrata a agonia de uma menina de 13 anos, Alexia González-Barros, educada no seio de uma intolerante família pertencente à Opus Dei. “É um filme contra a escuridão, a dor e os fundamentalismos deste país”, ressaltou Jordi Dauder, vencedor da estatueta para Melhor Actor Secundário pelo mesmo filme.

A alegria da equipa de “Camino” foi ainda mais efusiva, dada a vitória da jovem Nerea Camacho na categoria de Actriz Revelação, pela sua interpretação como Alexia González-Barros. Nerea, de apenas 12 anos, não conteve as lágrimas enquanto afirmava estar a viver um conto de fadas.

Como é normal acontecer em noites de grandes vencedores, houve também grandes derrotados: os filmes “Los girasoles ciegos” e “Sólo quiero caminar”, grandes favoritos com quinze e onze nomeações respectivamente, apenas arrecadaram um prémio cada.

Desta noite de Goyas há ainda a destacar a vitória do porto-riquenho Benicio del Toro como Melhor Actor Principal pelo seu desempenho no filme de Steven Soderbergh “Che, el argentino”. Esta já não é a primeira vez que a parceria Benicio – Soderbergh tem êxito: em 2001, com “Traffic”, ambos ganharam Oscar.

De resto e como já vem sendo habitual, foi sobre Penélope Cruz que todos os olhares se concentraram. A actriz não surpreendeu e voou desde Los Angels para receber, em Madrid, o Goya para melhor actriz secundária pelo seu desempenho em “Vicky Cristina Barcelona”, de Woody Allen. Penélope mostrou-se genuinamente feliz no seu discurso: “Agradeço à Academia, porque é uma honra receber dos meus colegas um prémio por um filme estrangeiro, mas de produção espanhola.” Resta-lhe esperar o dia 22 de Fevereiro para comprovar se os Oscars vão, outra vez, falar em castelhano.

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Os vencedores

MELHOR FILME
“Camino” de Películas Pendelton, S.A., Mediaproducción, S.L

MELHOR REALIZADOR
Javier Fesser por “Camino”

MELHOR REALIZADOR ESTREANTE
Santiago A. Zannou por “El truco del manco”

MELHOR ARGUMENTO ORIGINAL
Javier Fesser por “Camino”

MELHOR ARGUMENTO ADAPTADO
Rafael Azcona y José Luis Cuerda por “Los girasoles ciegos”

MELHOR MÚSICA ORIGINAL
Roque Baños por “Los crímenes de Oxford”

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL
El truco del manco “A tientas”
Compositor: Woulfrank Zannou, Juan Manuel Montilla “Langui”

MELHOR PRODUÇÃO
Rosa Romero, por “Los crímenes de Oxford”

MELHOR FOTOGRAFIA
Paco Femenía, por “Sólo quiero caminar”

MELHOR MONTAGEM
Alejandro Lázaro por “Los crímenes de Oxford”

MELHOR ACTOR PRINCIPAL
Benicio del Toro, por “Che, el argentino”

MELHOR ACTOR SECUNDÁRIO
Jordi Dauder, por “Camino”

MELHOR ACTOR REVELAÇÃO
Juan Manuel Montilla “Langui”, por “El truco del manco”

MELHOR ACTRIZ PRINCIPAL
Carme Elías, por “Camino”

MELHOR ACTRIZ SECUNDÁRIA
Penélope Cruz, por “Vicky Cristina Barcelona”

MELHOR ACTRIZ REVELAÇÃO
Nerea Camacho, por “Camino”

MELHOR DIRECÇÃO ARTÍSTICA
Antxon Gómez, por “Che, el argentino”

MELHOR GUARDA-ROUPA
Lala Huete por “El Greco”

MELHOR CARACTERIZAÇÃO
José Quetglas, Nieves Sánchez y Mar Paradela por “Mortadelo y Filemón: Misión salvar la tierra”

MELHORES EFEITOS SONOROS
Daniel de Zayas, Jorge Marín y Maite Rivera, por “3 días”

MELHORES EFEITOS ESPECIAIS
Raúl Romanillos, Pau Costa, José Quetglas, Eduardo Díaz, Álex Grau, y Chema Remacha, por “Mortadelo y Filemón: Misión salvar la tierra”

MELHOR FILME DE ANIMAÇÃO
“El lince perdido” de Kandor Graphics, Perro Verde Films, Green Moon

MELHOR DOCUMENTÁRIO
“Bucarest, la memoria perdida” de Bausan Films, S.L., Minimal Films, TVC

MELHOR FILME EUROPEU
“4 meses, 3 semanas, 2 días” de Cristian Mungiu (Rumanía)

MELHOR FILME SUL-AMERICANO
“La buena vida” de Andrés Wood (Chile)

MELHOR CURTA METRAGEM DE FICÇÃO
“Miente” de Isabel De Ocampo

MELHOR CURTA-METRAGEM DE ANIMAÇÃO
“La increíble historia del hombre sin sombra” de José Esteban Alenda

MELHOR CURTA-METRAGEM DOCUMENTAL
“Héroes. No hacen falta alas para volar” de Ángel Loza

GOYA DE HONRA
Jesús Franco

 

Margarida Constantino em Madrid

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