Prémio Humanidade da 50ª Mostra vai para Marco Bechis

Marcado pelo pesadelo das ditaduras sul-americanas, o cineasta ítalo-chileno Marco Bechis receberá a distinção honorária Prémio Humanidade, atribuída anualmente pela Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, nesta quinta-feira, 22 de outubro, às 18h30, no Cultura Artística, durante a sessão da sua nova longa-metragem, Retorno a Buenos Aires. Exibido em competição no Festival de Veneza, o filme conquistou o prémio independente Francesco Pasinetti de Melhor Filme.

A produção acompanha o calvário existencial de Mariano Guerra, que regressa à Argentina após 33 anos em Itália para testemunhar no julgamento dos militares responsáveis pelo seu sequestro, tortura e humilhação durante a ditadura. A trajetória de Bechis também é atravessada pela violência do regime argentino: preso em 1977 e posteriormente deportado para a Europa natal dos seus ancestrais, o realizador transformou essa experiência em matéria de uma filmografia política que inclui Garage Olimpo (1999), sobre uma jovem ativista sequestrada e torturada pela ditadura. A sua relação com a Mostra estende-se por décadas, com passagens de títulos como Terra Vermelha, que abriu a 32.ª edição do evento, em 2008, e Mundo Invisível, longa-metragem coletiva idealizada pela própria Mostra.

Na sua 50.ª edição, a maratona paulistana segue até 29 de outubro.

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