A curta-metragem “Alisveris”, de Vasile Todinca, sobre uma mulher que passa um dia inteiro a tentar juntar dinheiro para conseguir pagar a renda da casa, foi a vencedora do Grande Prémio da Competição Internacional do Curtas Vila do Conde. “Pela sua visão crítica e perspicaz sobre o mundo contemporâneo, pelo seu tom humorístico numa situação dramática e pela sua promissora realização cinematográfica”, disse o júri, composto pela realizadora e argumentista Maureen Fazendeiro, Anne Gaschütz, programadora e atual diretora do FILMFEST DRESDEN, e o realizador e escritor João Rosas.
Na animação, a melhor curta foi “World at Stake”, de Susanna Flock, Adrian Jonas Haim, Jona Kleinlein. O filme utiliza fundamentalmente a imagem dos videojogos, de génese na modelagem 3D, para mostrar “o estado de um mundo que se afoga silenciosamente contra o pano de fundo da passividade do espetador”.
No melhor documentário o prémio coube a “Being John Smith”, um filme que brinca com a forma autobiográfica para explorar o dilema do cineasta, John Smith, com o facto do seu nome ser o mais comum no mundo anglo-saxónico, e como a própria forma de autobiografia cinematográfica pode conduzi-lo à banalidade.

O prémio de melhor ficção foi para “What Mary Didn’t Know”, de Konstantina Kotzamani, que retrata, “com notável precisão a vulnerabilidade emocional do desejo adolescente (…) e intensidade do primeiro amor e do desgosto amoroso com profundidade e ternura”.
O Candidato ao European Film Awards 2026 e o Prémio de Melhor Curta Nacional coube a “Sol Menor”, de André Silva Santos, em torno de um professor de flauta, Samuel, ainda em luto pela morte da esposa, mas que é confrontado com o desgaste físico da mãe, após um encontro com o irmão. “Através de uma observação discreta e de uma narrativa luminosa, o cineasta apresenta um filme de uma sensibilidade rara e subtil, criando uma narrativa que ilumina suavemente os espaços entre o luto e a fragilidade e complexidade das relações familiares”, disse o júri. Já o Prémio SPA foi para a animação “Porque hoje é Sábado”, de Alice Guimarães.
O Prémio do Público, também ele entregue a uma animação, coube a “Como si la tierra se las hubiera tragado”, de Natalia León, que toca num tema importante e cruel da sociedade mexicana. A morte e o desaparecimento de mulheres no país, entregues à violência patriarcal.
Na competição experimental, venceu “Daria’s Night Flowers”, de Maryam Tafakory, enquanto na competição Take One!, “Homem”, de Fábio Zilbermann Iuchno, foi o melhor filme, e “Pelas Costuras”, de Daniela Tietzen, Luana Rodrigues e Adriana Andrade venceram a melhor realização. Finalmente. Na competição de vídeos musicais triunfou “Memória de Peixe”, de r Miguel Nicolau, enquanto na secção My Generation a vitória coube a “Home Sweet Home”, de Tiffany Deleuze.
O Curtas Vila do Conde arrancou no passado dia 12 de julho e encerra hoje, 20 de julho.

