Pode-se separar a arte do artista? Esta velha questão, que ganhou novamente destaque nas últimas décadas, sempre teve na cineasta alemã Leni Riefenstahl um dos casos mais paradigmáticos da História do Cinema. Próxima de Hitler e realizadora de duas das maiores obras de propaganda do regime nazi, “Triumph of the Will” (1935) e “Olympiad” (1938), a realizadora passou de certa maneira de “fininho” no final da 2ª Guerra Mundial, não como uma acalorada colaboradora nazi, mas uma vítima seguidora, iludida – como todos os alemães – pelas ideias do Fuhrer que só mais tarde mostrou a verdadeira face da sua ideologia. A polémica em torno de Leni ganhou novo sismo quando, em meados da década de 1970, Susan Sontag publicou o seu acusatório ensaio, “Fascinating Fascism”, e, duas décadas depois, o documentário “The Wonderful, Horrible Life of Leni Riefenstahl” provocou novas réplicas alinhadas com o primeiro abalo. Livros e artigos foram escritos, entrevistas de televisão desmontadas, e filmes foram feitos, mas o debate sobre “a questão Riefenstahl” permanece, porque as provas até agora do que ela sabia e apoiava, em todo o percurso de Hitler pelo poder, sempre se apresentavam circunstanciais.
Foi assim, nestas circunstâncias de certezas que dificilmente se podem provar, que surgiu no Festival de Veneza no ano passado “Riefenstahl”, um documentário de Andres Veiel, cineasta que há uns anos atrás surgiu nas nossas salas com um objeto cinematográfico em torno de Joseph Beuys. Hoje foi divulgado o trailer.
“Riefenstahl” estreia em Portugal a 30 de outubro.






