Morreu o realizador brasileiro Cacá Diegues (1940-2025)

(Fotos: Divulgação)

Indicado três vezes à Palma de Ouro Cannes, onde foi jurado também em três ocasiões distintas, o brasileiro Carlos Diegues, o Cacá, morreu na manhã desta sexta-feira (14), aos 84 anos, no Rio de Janeiro, onde viveu desde cedo. A informação foi confirmada pela Academia Brasileira de Letras (ABL), instituição da qual era integrante (sob a alcunha de “imortal”). A sua morte é decorrente de complicações cirúrgicas. Foi campeão de bilheteiras por mais de uma vez, destacando-se “Xica da Silva“, que vendeu 3,1 milhões de ingressos em 1976. O cineasta sai de cena com uma longa-metragem inédita para estrear: “Deus É Ainda Brasileiro”. O C7nema visitou os sets de filmagem, em Alagoas, onde Cacá explicou o projeto, que continua as aventuras do Todo-Poderoso retratadas por ele em “Deus É Brasileiro” (2003), visto por 1,6 milhão de espectadores. “Não se trata de uma comédia pura e simples, no sentido de fazer rir despropositadamente. Eu diria que este filme é uma comédia humanista, uma crónica do que está diante de nossos olhos e, ao mesmo tempo, que nos faz rir, nos indicando caminhos mais adequados nesse momento difícil do Brasil e da humanidade“, disse o realizador.

Créditos Fotografia: Gabriel Moreira

Num projeto 100% alagoano, Cacá repensa o existencialismo de Deus (Fagundes). O Divino não conta mais com o seu guia, Taoca (papel de Wagner Moura). Ele regressa à Terra no dia do velório do seu amigo, chegando ao planeta com o intuito de acabar com tudo, insatisfeito com os rumos da Humanidade. Passa até por uma reunião celestial para decidir o que será de nós. Mas ao matar as saudades da sua amiga Madá (Ivana Iza, atriz e documentarista de Alagoas que assume o papel outrora encarnado por Paloma Duarte) e conhecer a jovem Linda (Laila Vieira), o Criador começa a repensar seus afetos.

Ao C7, Diegues explicou: “Não sou religioso, mas não posso dizer que sou ateu. Não acho que Deus seja tão divino assim, pois tenho a impressão de que ele é formado por partes de nós mesmos. No meu cinema, acho que ele vai representar sempre um direito a todas as possibilidades, num mundo de criação em que nenhuma é proibida“, disse o realizador, respeitado também como escritor, numa carreira paralela como cronista. A sua prosa ensaística funcionava como um farol sociológico para a sua pátria.

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