A realizadora francesa Claire Simon vai estrear na Giornate degli Autori, que ocorre em paralelo ao Festival de Veneza, um documentário onde a escritora premiada com o Nobel da Literatura Annie Ernaux está em destaque, mas não é o foco. O filme, intitulado Écrire la vie – Annie Ernaux racontée por des lycéennes et des lycéens, explora o impacto da obra de Ernaux entre estudantes do ensino secundário e universitário em França. Com enquadramento nas salas de aula, o documentário capta como os jovens leem, discutem e se apropriam dos textos de Ernaux, revelando o poder transformador da sua escrita no processo de autoconhecimento e emancipação.

O filme, cujo título provisório era You Talk Of Ourselves, foi encomendado pelo programa televisivo francês La Grande Librairie, uma referência na promoção da leitura no país. Ao dar voz a alunos e professores, Claire Simon interroga como a obra de Ernaux, onde constam publicações como Os Anos, Paixão Simples e O Acontecimento, é ensinada, recebida e vivida pelas novas gerações, desafiando certezas, despertando consciências e inspirando jovens na sua busca por liberdade e identidade.
Realizadora de longa data no cinema documental e de ficção, Claire Simon tem uma filmografia centrada nas vivências das mulheres, nos jovens e nas instituições educativas. Ao longo da carreira, filmou escolas, hospitais e espaços de formação, sempre com um olhar atento à construção da subjetividade.
Entre os seus títulos mais recentes estão Le concours (2016), crónica centrada no processo de entrada para a escola La Fémis, Premières solitudes (2018), filmado nos subúrbios de Paris, num liceu, e Apprendre (2024), um retrato profundo de uma escola primária nos arredores de Paris, onde mostra a paixão das crianças pelo conhecimento e a dedicação dos professores. Antes disso, e entre várias obras, realizou Notre corps (2023), onde segue médicos e doentes numa enfermaria de ginecologia em França.
Com Écrire la vie, Claire Simon continua o seu percurso de observação atenta do mundo em transformação, mostrando como a literatura de Annie Ernaux permanece viva, não apenas nos livros, mas nas conversas, dúvidas e descobertas dos jovens que a leem.

