É com a abertura ao público de duas exposições – “Centenário do Cinema de Animação Português: 100 anos, 100 filmes”, na Cinemateca Portuguesa – Museu do Cinema, e “Raimund Krumme: Traços de Movimento”, na Sociedade Nacional de Belas Artes – que arranca hoje, 15 de março, a MONSTRA | Festival de Animação de Lisboa, evento que se vai prolongar até ao próximo dia 26 de março na capital, em particular no Cinema São Jorge, Cinemateca Portuguesa – Museu do Cinema, a Cinemateca Júnior, o UCI El Corte Inglés e o Cinema City Alvalade.
E este ano, em que João Gonzalez e o seu “Ice Merchants” fizeram história ao conseguir a nomeação aos Oscars, é particularmente forte a exibição de cinema de animação português na Monstra, com a presença de inúmeras curtas-metragens na programação, entre elas duas em estreia mundial na cerimónia oficial de abertura, a 16 de março, mas também 2 longas-metragens.
Para Fernando Galrito, a nomeação de Gonzalez aos prémios de cinema mais populares do mundo, é um motivo de grande orgulho: “É com prazer que 100 anos depois da primeira animação portuguesa, “O Pesadelo do António Maria”, exista um reconhecimento norte-americano, através dos Oscars, do nosso trabalho nesse campo. O “Ice Merchants” espelha o que tem sido a evolução do cinema português de animação, para o qual as pessoas estão menos atentas. Internacionalmente, o cinema de animação é o que tem trazido mais prémios para o nosso país, mas particularmente o João Gonzalez ajudou a que existam mais pessoas interessadas em ver cinema de animação português, que tem muita qualidade e fala muito de nós. Ou seja, há um saber muito grande nas diversas técnicas de animação (2D, 3D, marionetes) e um conhecimento muito forte sobre as histórias que contamos, da nossa cultura.“
Segundo o director artístico da Monstra, este reconhecimento internacional do cinema de animação português poderá trazer novos públicos ao certame, não apenas interessados em conhecer o cinema made in Portugal, mas também o internacional. “Estamos a falar de uma curta, de 14 minutos, que está a trazer muita gente às salas de cinema. A Monstra vai exibir 18 curtas e 2 longas portuguesas, a que se junta outra no modelo de coprodução, por isso vamos dar uma visão alargada do cinema português de animação. E esse interesse e boa memória em relação ao filme do João Gonzalez pode inspirar um novo interesse pela animação nacional e até internacional, impulsionando a vinda de pessoas à Monstra.”

Comemorando os 480 anos da chegada dos portugueses à costa japonesa, a Monstra dedica igualmente atenção ao cinema de animação japonês, que através de mais de 90 peliculas vai encher os ecrãs da Monstra: “Tentámos dividir a retrospetiva japonesa em 3 partes: uma parte menos conhecida em Portugal, dedicada aos ancestrais, ou seja, as pessoas que nos anos 1930, 40 e 50 fizeram filmes de animação. Muito antes da influência do Manga, que criou a linha “anime”. Depois fazemos a transição com o Osamu Tezuka, o homem que cria uma proximidade entre o que conhecemos da banda-desenhada japonesa e o cinema de animação japonês, entrando depois nos blockbusters e os grandes realizadores, onde encontramos o Satoshi Kon, Mamoru Hosoda e grandes mestres dos Ghibli. Dentro destes grandes trabalhos de estúdio vamos ainda passar “A Tartaruga Vermelha”, do Michaël Dudok de Wit, que é o único ocidental que teve, até hoje, um filme produzido pelos Ghibli. Ele vai estar na apresentação do filme em Lisboa e vai dar uma masterclass. Existe ainda a terceira parte deste programa, onde acompanhamos o chamado cinema de animação independente, onde um dos nossos convidados é o Koji Yamamura.”
Em foco também está a competição internacional, que além de dois filmes portugueses (e “Nayola”, de José Miguel Ribeiro, e “Os Demónios do Meu Avô”, de Nuno Beato) e uma coprodução com participação portuguesa (Interdito a Cães e Italianos), conta ainda com um filme brasileiro (Perlimps), uma produção francesa (Guerra de Unicórnios), outra lituana-americana (A Minha História de Amor com o Matrimónio) e uma italiana (Yaya e Lennie: Liberdade em andamento).
Pontuam ainda as competições Perspetivas, Curtas-metragens de Estudantes, Curtíssimas e a MONSTRINHA. No meio de 423 filmes, provenientes de 50 países, haverá ainda tempo para masterclasses e diversos encontros com convidados.
Apesar do leque de oferta ser extremamente rica, Fernando Galrito foi convidado pelo C7nema a escolher uma sessão ou um dia que os espectadores da Monstra não podem mesmo perder. A sua escolha incide no dia 24 de março: “Como estamos a comemorar os 100 anos da animação portuguesa, as pessoas não devem perder a sessão noturna ligada ao Prémio Vasco Granja/SPA e, logo depois, um concerto com jovens músicos de Jazz, os quais vão tocar juntamente com a exibição de vários filmes de animação menos narrativos. Reservem o dia 24 na vossa agenda pois ele é praticamente todo dedicado ao cinema de animação português.“


