Tendo como cenário os tumultos estudantis de 68 em Paris, “Os Sonhadores” de Bernardo Bertolucci, baseado no romance de Gilbert Adair conta a história de um jovem americano – que estudou na cidade luz – e que conta a sua peculiar amizade com um casal de irmãos franceses.

“Eu tinha 20 anos” anuncia Matthew (Michael Pitt), logo no início do filme.
Decorria o ano de 1968 e Paris nunca esteve tão viva. Anos delicados, revoltosos e rebeldes como os protagonistas do filme de Bertolucci: Matthew, Isabelle (Eva Green) e Theo (Louis Garrel), os “sonhadores” que nunca estiveram tão vivos e acordados na capital de França.
Quem conhece o filme sabe que vê-lo é uma experiência enriquecedora, principalmente para quem ainda é jovem e tem vontade de enveredar numa aventura de autoconhecimento. No filme de Bertolucci há de tudo, cinema, sexo, erotismo, o desejo de rebelião. Existe a sensação do desconhecido, o desejo de transgredir, de mudar, de enfrentar os medos. Os três jovens protagonistas querem viver como se estivessem numa obra de arte, metáfora explorada através de referências cinematográficas e de recurso à Cinemateca Francesa que frequentam assiduamente. “Talvez a tela fosse realmente uma tela: separava-nos do mundo… “.
Na época chave do filme, os artistas empenhavam-se em superar a ideia da realidade perfeita que tinha sido doutrinada até então. A ilusão perseguida pelo cinema Clássico, devia ser revelada, e por isso “Os Sonhadores” é – no seu todo – um testemunho deste sentimento artístico.
Fabio Cianchetti, foi o diretor de fotografia. Vencedor do Golden Ciak para Melhor Fotografia em 2004 explora de forma primorosa o conceito de considerar a arte, no termo mais genérico, capaz de transformar a nossa experiência de vida e captar momentos exemplares, não apenas do ponto de vista concreto e material mas também metafórico e espiritual. Uma viagem atmosférica e romântica que só os verdadeiros sonhadores reconhecem.
A título de curiosidade: foi oferecido a Leonardo DiCaprio o papel de Matthew, mas o ator recusou porque estava em pré-produção de “O Aviador“. Michael Pitt, com semelhanças físicas consideráveis com DiCaprio, foi escolhido em seu lugar.

“A revolution is an uprising, a violent act by which one class overthrows another.”



























