O filme de Nicolas Winding Refn é baseado no romance de James Sallis, com argumento de Hossein Amini.
Durante o dia, um motorista (Ryan Gosling) trabalha como mecânico e duplo de cinema em Hollywood, durante a noite presta serviços para a máfia. Vizinho de Irene (Carey Mulligan), casada com Standard (Oscar Isaac) de quem tem um filho. Consciente da situação difícil de Standard, que saiu há pouco tempo da prisão, o motorista convida-o para realizar um assalto. Só que o golpe dá errado, o que coloca em risco as vidas do motorista, de Irene e do seu filho.

Refn deu ao filme um ambiente de policial neo-noir e estilizou em detalhes a história escrita por Amini tornando-a hiperrealista, mergulhando-a com pathos e sentimentalismos intensos que têm como objetivo máximo envolver, desde o primeiro minuto, o espectador.
Outra peculiaridade do noir é o protagonismo da atmosfera sombria: a maioria das sequências foram filmadas à noite para garantir a presença fixa do claro-escuro, através do qual os jogos de luz são projetados nos rostos das personagens que se apresentam, em grande parte das cenas, à meia-luz. As cores, assinatura estilística de Refn, têm a função de definir as cenas e de alertar o espectador sobre o que vai ou pode acontecer.
Como se de pintura de tratasse, as opções a nível da cor oscilam entre o verde, tendendo ao azul e são usadas cores opostas, como o amarelo, laranja e branco. As cores quentes representam uma situação de bem-estar, harmonia, tranquilidade e paz e às cores frias, cabe o sentimento de incerteza e distanciamento. Já com o vermelho, que cumpre o seu objetivo primário, significa a chamada de atenção para um perigo iminente, símbolo de poder, de perigo e de violência.
Nas opções cinematográficas do diretor de fotografia Newton Thomas Sigel, nada é deixado ao acaso, as imagens e movimentos dão ao espectador a ideia de interação com o filme. Com o protagonista há uma partilha de movimento entre lugares opacos e quase quiméricos. Em “Drive“, o protagonismo não é só de Gosling, é partilhado com as opções cénicas, a paleta de cores e a soberba iluminação. Obviamente que tudo isto é alicerçado com um outro elemento que é, também ele, uma personagem principal: a excecional e inesquecível banda sonora, parte absoluta da experiência do filme.

“There’s a hundred-thousand streets in this city. You don’t need to know the route. You give me a time and a place, I give you a five minute window. Anything happens in that five minutes and I’m yours. No matter what. Anything happens a minute either side of that and you’re on your own. Do you understand?”




























