Procurando celebrar os laços familiares, o respeito pela natureza e o poder transformador da amizade, o realizador francês Gilles de Maistre (Mia e o Leão Branco, O Lobo e o Leão) apresenta Moon, o Panda, uma história sensível sobre a ligação entre um jovem e um animal emblemático da China.
O filme acompanha Tian, um rapaz de 12 anos afastado da vida urbana e enviado para passar o verão com a avó nas montanhas de Sichuan. Afastado dos jogos e das telas dos smartphones, tão característicos das crianças citadinas, ele conhece Moon, um jovem panda. Entre os dois, nasce uma amizade improvável.
O que torna Moon, o Panda diferente de outros filmes familiares é a sua aposta na autenticidade. Em entrevista ao C7nema, realizada em Paris no início do ano, de Maistre foi enfático: “Este filme é verdadeiramente único. Acho que nunca foi feito algo assim: é um panda real, não é um boneco, não é CGI. É uma relação verdadeira. E acredito que isto nunca mais se repetirá, porque hoje em dia é quase impossível aproximar-se de pandas.”
As autoridades chinesas protegem rigorosamente a espécie, e o acesso a pandas em ambiente natural é extremamente controlado. O realizador conseguiu uma autorização excepcional — algo raro e provavelmente muito difícil de repetir. “Aproximar-se deles tornou-se algo quase proibido. Tivemos uma autorização excepcional. Por isso, este é um filme único — algo que nunca mais se verá.”

Trabalhar com um animal selvagem exige um método diferente. “Quando se trata de animais, não se trabalha. Adapta-se. É tudo uma questão de energia. Os animais são muito sensíveis à energia das pessoas, à forma como as aceitamos, como as respeitamos — numa relação de igual para igual.” Para de Maistre, o segredo está em não impor, mas em observar e respeitar os ritmos do animal e da criança. “Todo o meu sistema é feito para respeitar os animais, respeitar as crianças, acompanhar o ritmo deles, criar essa relação — e depois filmar essa magia. É isso que me interessa. Pode-se passar horas sem fazer nada, para de repente surgirem cinco minutos de magia. E aí conseguimos algo bastante único.”
O realizador confessa ainda que vê o cinema como uma ferramenta de ligação familiar. “Muitas crianças — mesmo de 3, 4, 5 anos — vão ao cinema pela primeira vez porque há um animal. É uma enorme responsabilidade. Pode ser o filme que marque toda a vida delas.” E conta com frequência histórias de pais que, após o filme, conversam com os filhos, pesquisam sobre pandas, voltam a ver o filme. “É ótimo quando o cinema cria essas ligações familiares. É uma ferramenta poderosa.”
Moon, o Panda estreou em Portugal a 14 de agosto e destina-se especialmente a um público mais jovem. Não é um filme com diálogos complexos, bem pelo contrário, nem reviravoltas dramáticas, mas sim uma fábula simples, com uma mensagem clara: “Quero que as crianças saibam que a vida vale a pena, que podem sair do seu sofrimento, que o mundo é mais vasto do que os ecrãs dos seus jogos.”
Enquanto este filme chega às salas, de Maistre já trabalha no próximo: “Já filmei um. Sai daqui a um ano. Estou a montar. Foi filmado no deserto — é uma história verídica, adaptada. Um menino de dois anos perde-se na família durante uma tempestade de areia e sobrevive dez anos no deserto, ajudado pelos animais — especialmente por avestruzes. É incrível, e é real.”
Mais uma vez, a natureza, as crianças e os animais estarão no centro da sua próxima aventura.






