Jessica Athayde é uma gerente à beira de um ataque de nervos em “Hotel Amor”

Já com as 5 primeiras datas esgotadas da primeira peça que escreveu, “Bridezilla”, Jessica Athayde vai invadir as salas nacionais no dia 19 de junho com a sua segunda experiência em cinema, “Hotel Amor”, realizado por Hermano Moreira (Amo-te Imenso, 2024).

No filme, a atriz interpreta o papel de Catarina, a gerente de um hotel que tem de lidar com inúmeros contratempos com funcionários e hóspedes, tudo no dia em que a responsável pelo grupo hoteleiro que adquiriu o espaço vai ao local para avaliar o seu trabalho. 

A Catarina vive para o trabalho e isso é o primeiro passo para um burnout”, disse a atriz ao C7nema, numa entrevista no Hotel Roma, espaço que foi transformado no Hotel Amor que dá título ao filme: “Tinha de focar-me apenas numa pessoa que trabalha e não consegue fazer mais nada além disso. Torná-la cansada, focada e criar um peso à sua volta que não tornasse óbvia a razão para essa forma de ser. A partir daí, o resto da personagem foi surgindo a partir da sua exaustão (…) Ela vive para o trabalho e, de repente, dá de frente com uma memória antiga. A Catarina apagou tudo o que estava para trás na sua vida. Quando aparece essa memória, na figura da personagem do Francisco, ela é despertada, sente novamente borboletas e sente-se viva de alguma maneira. No meio do caos que vai acontecendo à sua volta, isso serve de balão [de oxigénio], voltando a sentir-se cobiçada e valorizada de alguma forma”.

Jessica Athayde em “Hotel Amor

Filmado num conjunto total de 16 planos de sequência, num hotel que não encerrou as suas atividades para as filmagens, o primeiro filme de uma trilogia que Hermano Moreira pretende levar às salas representou um enorme desafio para Jessica, que aproveitou a sua própria agenda (carregada) para dar densidade a uma personagem à beira da exaustão. “Foi uma coincidência feliz, no meu processo criativo, o facto de estar, durante as filmagens, no Maria Matos a fazer uma peça de teatro. Saía da peça à meia-noite e vinha para o Hotel Roma filmar até às 5 da manhã. Ia para casa e às 7 da manhã tinha o meu filho a acordar-me. Entrei num processo de exaustão tão grande que isso ajudou-me a entrar na personagem da Catarina”, explica a atriz, acrescentando que a certo ponto optou por sair de casa durante uma semana, mudar-se para Lisboa e isolar-se. “Era uma responsabilidade brutal lidar com planos de sequência e o texto. Tinha tudo às costas e tinha de me focar. Comecei a perceber que o facto de construir a personagem, enquanto a vida estava a acontecer, estava a ser um pouco demais. Tive de concentrar-me, sair da minha vida um bocadinho e focar-me (…) É complicado trabalhar num sistema de planos de sequência, ainda mais num hotel em pleno funcionamento. Muitos dos hóspedes reais achavam que eu trabalhava no hotel. Às vezes estava na receção, à espera que a câmara descesse do sexto andar a acompanhar outro ator, e os hóspedes perguntavam-me onde era o pequeno almoço”.

Carreira

Jessica Athayde em foto promocional de “Bridezilla”, uma peça de teatro que escreveu (com Mafalda Santos) e protagoniza

Com uma carreira construída inicialmente no reino das telenovelas, Jessica Athayde sentiu, a certo ponto, que necessitava de algo mais, explorando novas formas de expressão artística e de entretenimento, da publicação de livros a atividades nas redes sociais, passando pela participação cada vez mais frequente no teatro e em séries de TV. “O meu background é de anos e anos de telenovela. Houve um período em que procurei lembrar-me porque quis ser atriz, pois já me sentia uma funcionária das novelas”, diz, acrescentando que foi aí que decidiu parar de fazer novelas e avançou para uma série, “Principio, Meio e Fim”. “Depois fiz “O Clube” e comecei a fazer teatro. Atualmente, tenho estado muito mais dedicada ao teatro e a séries. A minha primeira experiência em cinema foi “O Pai Tirano”. As oportunidades no cinema não acontecem todos os dias. Recebo guiões e sinto que, ou não tenho agenda, ou não é o papel que quero seguir nesta altura. No caso do “Hotel Amor” fez sentido para mim estar presente. Muitos dizem que o filme é uma comédia. Apesar de achar que tem momentos engraçados, não sinto que seja uma comédia. Eu estava a fazer comédia no Maria Matos, por isso, para mim, isto era o oposto do que estava a fazer”. 

Afirmando que os desafios são importantes, mas que “ter um bom ambiente de trabalho” é essencial, Jessica explica que nas filmagens de “Hotel Amor” sentiu sempre isso, coisa que no mundo do entretenimento “nem sempre acontece”. E apesar de garantir que adora telenovelas e outras formas de entretenimento televisivo, a atriz diz que existe um timing para tudo e que agora aposta na diversificação artística: “Este projeto foi filmado há um ano. Entretanto, já participei numa série, acabei uma peça de teatro e vou para outra. Creio que não devemos esperar que as oportunidades nos batam à porta para termos bons papéis. Vejo-me cada vez mais a entrar no mundo da escrita desses papéis.”

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