Para os fãs do terror entre o real e sobrenatural com um toque de autor, há uma série atualmente em exibição na televisão nacional (AXN Now) que merece uma espreitadela. Na linhagem antológica de projetos como “American Horror Story”, “Monsterland” apresenta-se na forma de uma coleção de oito episódios que segue outros tantos contos, onde terror e comentário sociail se misturam e mostram que os verdadeiros monstros muitas vezes estão dentro de nós.
Na base da série está o livro “North American Lake Monsters: Stories”, que é um conjunto de pequenas histórias escritas por Nathan Ballingrud. “Li o primeiro conto e fiquei maravilhada com a sua forma crua, real e honesta dentro género do horror.”, explicou-nos a showrunner, produtora e argumentista Mary Laws em entrevista na passada segunda-feira. “Li o primeiro conto e fiquei maravilhada com a sua forma crua, real e honesta dentro género do horror. Parecia algo de novo dentro do horror, algo muito pessoal e terreno. Algo mais na linha de coisas como “A Semente do Diabo” e de muitos outros filmes do Polanski no início. Sim, ele é um autor problemático, mas isso é uma outra discussão a ter. (…) Essencialmente achei este conjunto de contos uma maneira excecional de olhar para a paisagem norte-americana, sempre com a narrativa focada nas suas personagens, que movimentam a ação”.

Colaboradora de Nicolas Winding Refn no guião de “Neon Demon”, Mary ficou entusiasmada em fazer uma antologia televisiva a partir desse material: “Venho do mundo da escrita e por isso adorei a forma de contar as histórias na forma de uma coleção, que é o que o livro faz. Depois descobri que uma antologia é algo incrivelmente difícil de produzir (risos). Provavelmente não farei outra no meu futuro (risos), mas esta foi uma oportunidade incrível de trabalhar em diferentes comunidades, temas e uma diversidade incrível de gente que estava a lidar com uma decisão errada e desafortunada que tomaram no passado. E com a injustiça também, tentando ao máximo tirar o melhor de situações muito complicadas em que se encontram e onde muitas vezes são demonizadas.”
Em cada episódio de “Mosterland” não temos apenas uma história diferente, mas mudam igualmente os atores e os realizadores. Se nomes como Charlie Tahan, Taylor Schilling e Kelly Marie Tran são reconhecíveis no campo da interpretação, na realização encontramos Nicolas Pesce (Os Olhos da Minha Mãe e Piercing), Desiree Akhavan (The Miseducation of Cameron Post) e Babak Anvari (Wounds), entre outros.

Essa escolha de cineastas foi cuidada e feita com o intuito destes contribuírem com a sua visão para os projetos. “Gosto muito de trabalhar com realizadores. Muitas vezes, especialmente na televisão, eles são postos entre a espada e a parede para fazerem as coisas como os produtores querem que sejam. Senti que isto era uma antologia e por isso mesmo uma ótima oportunidade para mostrar o meu ponto de vista, mas também queria que eles apresentem a sua visão e que a sua estética e marca surgisse nas telas”, explicou Mary Laws, que no seu currículo de produção tem ainda a afamada “Succession” e “Preacher”. “Mesmo que tivéssemos um orçamento muito limitado e um cronograma muito apertado, a equipa trabalhou em conjunto e merece todos os elogios. Procurei realizadores cujo trabalho estético encaixasse particularmente em cada um dos episódios. E foi ótimo, pois consegui contratar uma série de nomes fantásticos, alguns com cunho de autor, como o Nicolas Pesce, a Anne Sewitsky e o Logan Kibens, que adoro. Foi uma ótima empreitada, pois trouxemos um novo estilo e diferentes nomes. A posição de showrunner é muito interessante pois ele está à frente de tudo num show. Muitos showrunners querem ser “autores”, mas eu procuro principalmente construir uma equipa. Para mim era essencial que todos tivessem a sua voz, até porque os nossos episódios eram todos em torno de pessoas muito diferentes, com assuntos, problemas e traumas distintos.”

