Estreia da Semana: Martha Marcy May Marlene, os muitos nomes de Elizabeth Olsen no drama que arrebatou Sundance

Estreia finalmente em Portugal «Martha Marcy May Marlene», um dos grandes sucessos do último Festival de Sundance e que rendeu mesmo ao realizador Sean Durkin o prémio de melhor realização no mais importante Festival de cinema independente em terras norte-americanas. 

 
Elizabeth Olsen e Sarah Paulson 

E pode-se dizer que existiam mil e uma maneiras de Durkin contar a história de uma jovem que após viver numa espécie de seita/culto/comunidade regressa ao convívio da sua irmã e do marido desta com profundos traumas da sua experiência.
 
Durkin escolhe dois tempos, com recursos sistemáticos a flashbacks, para contar a sua história, que não tenha dúvidas que necessitou de  um grande trabalho de investigação. Numa conversa em Sundance, há aproximadamente um ano, o cineasta revelou que houve muita preparação para a criação desta obra dramática. «Eu queria algo sobre os cultos mas que fosse contemporâneo. Muitas vezes os filmes lidam com este tema mas são datados nos anos 60 e 70. […] Eu estudei diversos grupos e encontrei diversas formas de manipulação e abuso – é sempre o mesmo, não interessa a religião, existe uma consistência generalizada nas formas de atrair as pessoas. E enquanto escrevia, uma amiga minha foi generosa e partilhou as suas experiências na matéria. Ela passou por algo similar, e por isso muitas das incidências deste culto são baseadas na sua experiência.»
 
 
Sean Durkin
 
Talvez essa investigação tenha ajudado o cineasta a escapar aos clichés habituais e especialmente ao sensacionalismo que por diversas vezes açambarca estes projectos. Por isso, mais importante que mostrar a manipulação do grupo, esta extensão da curta-metragem «Mary Last Seen», com que Dorkin conquistou Cannes, apresenta a sensação de tempo perdido e a desilusão que as pessoas encontram quando olham para trás nas suas experiências, questionando mesmo como foram capazes de estar tão iludidas. E se inicialmente o filme começa num estilo morno, as transições e regressões puxam o espectador para uma trama turbulenta, por vezes com sensações de violenta repulsa, não sendo de estranhar a dificuldade que qualquer pessoa encontre em articular questões ao cineasta depois da experiência que se revela o seu filme. Esta dificuldade acentua-se ainda mais quando a protagonista, Elizabeth Olsen surge para promover o filme já fora da sua personagem e como se tudo tivesse sido «canja». 
 

Elizabeth Olsen, a força motriz de «Martha Marcy May Marlene»

 
Curiosamente e para a atriz, o papel não foi tão complicado e pesado de executar, ainda que tenha exigido bastante trabalho. «Martha, a personagem ofereceu-me uma série de desafios. Nem que seja pelo facto de ter de trabalhar com o aspeto psicológico de uma personagem com a qual não tens nada a ver. Ela é tão fora da minha maneira de ser que foi engraçado escapar para dentro da sua mente. Na realidade foi divertido, e sim é estranho, mas caracterizaria a experiência como divertida.»
 
 
Elizabeth Olsen 
 
Esta calma na separação dos dois mundos, do ator e da personagem, estranha-se mais numa atriz tão jovem e sem um grande curriculum no cinema. Mas para Elizabeth tudo foi acessível, pois a sua abordagem ao filme aproximava-se mais do focar-se numa jovem traumatizada do que do filme que aborda os cultos e seitas. «Nunca abordei o guião como algo que tinha muitos detalhes sobre cultos contemporâneos. Pessoalmente encarei isto sempre como alguém que passa por um trauma e tem de lidar posteriormente com isso. No que toca ao filme, como um todo, acho que realmente esta é uma obra única e original. A maneira como o Sean trabalha tudo em forma de puzzle, torna tudo ainda mais interessante quando o vemos pela segunda vez. As pessoas que o veem uma segunda vez sentem que estão a assistir a um novo filme pois em vez de se focarem em elementos que podem distrair, como a prestação dos atores, reparam em outros detalhes. Há muitos pormenores que só num segundo visionamento nos apercebemos. Eu dei por mim a ver o filme e a descobrir estas pequenas coisas que o Sean criou, mas não podemos falar nisso pois assim permitimos que outras pessoas passem pela mesma sensação. E é isso que é bom no filme, pois podemos voltar atrás e descobrir estas coisas que podem ter a resposta a uma questão que teoricamente fica aberta».
 
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