Noomi Rapace: de hacker na famosa trilogia Millennium a cigana em «Sherlock Holmes 2: O Jogo de Sombras»

(Fotos: Divulgação)
 


Apesar de já ser conhecida na Suécia, Noomi Rapace explodiu para a fama devido ao seu papel de Lisbeth Salander na famosa trilogia Millennium escrita por Stieg Larsson. E essa explosão de popularidade foi tão grande que chegou aos EUA, onde a atriz prossegue agora a sua carreira, ainda que vá participando em diversas obras escandinavas, como o recente «Babycall», filme que passou pelo recente Festival de Roma que premiou mesmo Rapace. E não vamos esquecer que «Beyond», onde Rapace desempenha o papel de uma mulher martirizada pelas memórias de infância (e que tem de confrontar o seu passado quando a mãe adoece), é o candidato sueco à nomeação ao Óscar de Melhor Filme Estrangeiro.
 
Já «Sherlock Holmes 2 : O Jogo de Sombras», que estreia na próxima quinta-feira, marca oficialmente a estreia da atriz numa longa-metragem em língua inglesa. 

«Sherlock Holmes 2 : O Jogo de Sombras»

 
Em entrevista, Rapace explica quais foram as suas maiores dificuldades e as principais mudanças que sentiu em trabalhar num projeto de grande orçamento numa língua que ainda não domina por completo. «Para começar a linguagem. Eu não falava inglês há três anos atrás. Para mim, a minha maior preocupação foi encontrar uma maneira de ser livre, de viver nesta linguagem em vez de fingir conhecê-la, de conseguir ler as minhas deixas mas não conseguir improvisar. Essa era a minha principal preocupação antes de começar a filmar. Depois, uma semana depois, eu esqueci-me disso. E foi incrível. É a maneira como eles trabalham. Aqueles rapazes são fantásticos e foram muito engraçados, prestáveis. Eles agarravam-me, abraçavam-me, davam-me apoio e eu esquecia-me que estava nervosa. Diverti-me imenso.» 
 
 
Noomi Rapace  em «Sherlock Holmes : O Jogo de Sombras» 
 
No filme Rapace interpreta o papel de Madam Simza Heron, uma personagem cigana que deu bastante trabalho a criar pois a atriz queria fugir aos clichés. «Eu envolvi-me muito a trabalhar na personagem, no seu estilo, na sua roupa. Os responsáveis pelo guarda-roupa foram fantásticos e tentamos muitas coisas, sempre falando com o Guy [Ritchie]. No primeiro rascunho do guião ela [a cigana] era descrita com sotaque francês. Depois chegámos a conclusão que já tínhamos visto isso antes. Então eu disse ao Guy, porque não adicionamos antigas línguas ciganas, como romani, e assim trocámos apenas algumas palavras para essa linguagem? Por isso ela é da Europa de leste, uma viajante, nos subúrbios de Paris. O Guy adorou, apoiou imenso o meu trabalho e mostrou abertura às nossas opiniões. Ele é muito criativo e agradece quaisquer ideias que tenhamos. Isto tornou o trabalho mais divertido e abriu inúmeras oportunidades.»
 
 
Robert Downey Jr., Noomi Rapace e Jude Law em «Sherlock Holmes : O Jogo de Sombras»
 
Essa abertura de Ritchie aos seus atores permite muitas vezes o improviso, algo que a atriz aprova e que diz ser comum nos cineastas com quem trabalhou até agora. « Eu gosto [do improviso] porque precisas estar super focado e aberto ao que vem. Eu já estava um pouco habituada a isso, de sentir que não controlo completamente a situação, de chegar às filmagens e pensar, “O que será que vamos fazer hoje?”. E a maneira como o Robert, o  Jude e o Guy trabalham é muito em equipa e não interessa de quem vem  uma  ideia, seja ela de mim, do Robert, do Jude, do Guy ou até da Susan, a mulher do Robert. É como se todos tivéssemos lá para fazer uma coisa divertida e foi fantástico isso». Já sobre o protagonista da obra, Rapace adianta que Downey Jr. «é muito sensível e realmente interessava-se sobre aquilo que eu dizia. E questionava-me sempre sobre o que eu achava. Era amoroso, humilde e é super inteligente. Sentimos mesmo que ele vê coisas onde mais ninguém vê».

Noomi e o futuro

Há um ano atrás, muitos questionaram porque razão a atriz não teve o desejo de  interpretar de novo Lisebeth Salander agora na versão americana assinada por David Fincher. A atriz diz que acredita bastante no projeto e que acha que Fincher vai dar uma dinâmica diferente ao do filme sueco, mas voltar a essa personagem nunca foi uma opção «Eu já tinha acabado com ela. Ela controlou-me a vida ano e meio e quando a deixei sabia que era algo que não queria voltar a fazer.»
 
 
Rapace em «Prometheus»
 
«Hansel and Gretel – Witch Hunters» foi outro dos projetos que a atriz declinou participar, mas ainda assim Rapace tem uma agenda carregada de títulos que definitivamente a vão colocar no topo da cadeia alimentar em Hollywood. Veja-se «The Last Voyage of Demeter» ou «Prometheus», onde é protagonista ao lado Michael Fassbender e Charlize Theron. Para Rapace, este era o projeto que não podia deixar passar : «O Ridley Scott é um dos meus heróis. Eu lembro-me quando vi em pequena o primeiro «Alien» e WOW…ele arrasou-me. É incrível. Eu amo o trabalho dele. Foi muito duro, brutal mesmo e o meu corpo esteve repleto de dores durante as filmagens (…) mas foi uma das melhores coisas onde já participei.».
 
«Sherlock Holmes 2 : O Jogo de Sombras» estreia nos cinemas a 5 de janeiro. 
 
Jorge Pereira 

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