Especial Tintin: Parte I | Especial Tintin: Parte II | Tintin: As personagens inesquecíveis
Se aos norte-americanos coube criar marcos como o Super-Homerm (Jerry Siegel/Joe Shuster) ou o Homem-Aranha (Stan Lee e Steve Ditko), os europeus responderam com figuras igualmente de vulto como Astérix (Goscinny/Uderzo) ou Tintin. O repórter aventureiro de Hergé chega aos cinemas em 2011, altura, pois, para passarmos em revista a história, as aventuras e os bastidores que fazem do “rapazinho de popa no cabelo” uma figura de referência da Banda Desenhada mundial.
A primeira aventura
A primeira aventura de Tintin é “Tintin no País dos Sovietes”. Foi publicada inicialmente no jornal “Le Vingtième Siècle”, um diário para onde Hergé foi trabalhar em 1925, no departamento de assinaturas.
Após um interregno de dois anos para cumprir o serviço militar entre 1926 e 1927, Hergé regressa a este jornal belga, onde é incentivado pelo sacerdote Norbert Wallez (na foto à esquerda de Hergé), director do “Le Vingtième Siècle”, a cultivar o seu gosto por banda desenhada. Esta atitude produz os seus frutos e a Hergé, que começa a desenhar, são confiadas mais responsabilidades.
Assim, em 1 de Novembro de 1928, sob a coordenação de Hergé, sai o primeiro número do suplemento infanto-juvenil do “Le Vingtième Siècle” baptizado de “Le Petit Vingtième”. Aí, Hergé assina “Les Aventures de Flup, Nénesse, Poussette et Cochonet”.
Mas é então que, em 10 de Janeiro de 1929, surge no nº 11 do “Le Petit Vingtième” uma nova aventura: “Tintin au pays des Soviets” (“Tintin no País dos Sovietes”). Nascia o herói Tintin, um jovem repórter de cabeça redonda e com uma popa no cabelo, e o seu fiel amigo de quatro patas, o cão fox-terrier Milú.
A primeira missão de Tintin era espinhosa: desmontar toda a falsidade acerca do “milagre soviético”. Durante 69 episódios semanais (até 8 de Maio de 1930) e 138 pranchas depois, com a política a servir de pretexto para a criação de uma narrativa, o destemido repórter Tintin irá viajar de Bruxelas até Moscovo e, em terra dos sovietes, envolver-se numa sucessão de aventuras e gags a um ritmo tão alucinante que às vezes se torna risível.
Pelo facto de o “Le Vingtième Siècle” ser um jornal católico e anti-comunista, a história altamente tendenciosa que surge em “Tintin au pays des Soviets” é muito corrosiva para a sociedade comunista e, em particular, para o Partido Comunista, retratado como um aparelho tentacular e opressor que tudo distorce e controla. Esta exacerbada conotação ideológica acaba por retirar algum valor literário a “Tintin no País dos Sovietes”. No entanto, embora o traço de Hergé nesta obra fosse muito grosseiro e simples, “Tintin no País dos Sovietes” merece relevância– para além de ser a primeira aparição de Tintin – pois adopta a técnica dos balões, algo raro ao tempo mas numa clara influência do estilo usado pelos comics no outro lado do Atlântico.
Um repórter pelos “sete cantos do mundo”… que nunca escreve!
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