Num dos momentos mais marcantes da San Diego Comic-Con, George Lucas, Guillermo del Toro e o designer de produção Doug Chiang subiram ao palco da icónica Hall H para apresentar o Lucas Museum of Narrative Art, numa sessão narrada pela nomeada ao Óscar Queen Latifah. Foi a primeira vez que Lucas participou oficialmente no evento, num painel que se tornou um marco simbólico para o futuro do museu.
O museu, em construção no Exposition Park, em Los Angeles, abrirá em 2026 com entre 30 e 40 galerias. Projetado pelo arquiteto Ma Yansong, da MAD Architects, o edifício de 28.000 m² ergue-se como uma fita de Moebius — uma forma contínua sem começo nem fim — e será integrado num campus de 44,5 hectares com espaços verdes desenhados pelo Studio-MLA. O espaço contará com galerias amplas, dois cinemas de última geração, áreas dedicadas à aprendizagem, restaurantes, lojas e espaços para eventos.
A missão do museu, criado por George Lucas e Mellody Hobson, é inspirar e conectar as pessoas através da exploração de histórias visuais e da sua influência na sociedade. Para Lucas, trata-se de um “templo para a arte do povo“, um espaço que celebra a narrativa visual — do cinema à banda desenhada, da ilustração à animação.
“A arte é sobre conexão emocional, não sobre preço ou celebridade”, afirmou Lucas. “Se você se conecta emocionalmente, é arte. Se não, segue em frente.“

Del Toro, membro do conselho diretivo do museu, falou da sua importância como refúgio criativo, especialmente após ter perdido parte da sua coleção nos incêndios de Los Angeles em 2024. “É um abrigo para a imaginação“, disse, destacando que as histórias moldam o mundo: “Uma das vertentes narrativas aplicadas de forma brutal é a propaganda. A arte é celebrar a obra de pessoas incríveis, mas também é celebrar aquilo que nos pertence: o Mito pertence-nos. A propaganda pertence a um grupo muito pequeno. O Mito une-nos e a propaganda divide-nos.”
Doug Chiang, designer-chefe da Lucasfilm e responsável por obras como Rogue One, The Mandalorian e Skeleton Crew, sublinhou que o museu dá o devido reconhecimento a uma forma de arte muitas vezes subestimada: “A banda desenhada guiou a minha carreira. E foi o próprio Lucas quem me ensinou: toda arte precisa de uma história por trás.”
Durante o painel, foi exibido em exclusivo um sizzle reel narrado por Samuel L. Jackson, que antecipou peças icónicas como a motocicleta do General Grievous, um landspeeder de Star Wars e a nave de Anakin em A Ameaça Fantasma. Entre as obras em exposição estarão também ilustrações de Ralph McQuarrie, o primeiro desenho de Flash Gordon (1934), tiras originais de Peanuts e trabalhos de Frida Kahlo, Norman Rockwell, R. Crumb e Jack Kirby.

