No ano em que se celebram os 200 anos da independência do Brasil, chega em maio às salas de cinema “A Viagem de Pedro“, a mais recente longa-metragem da realizadora brasileira Laís Bodanzky (Como nossos pais).
No filme estamos em 1831. D. Pedro deixa o Brasil independente rumo à Europa, a fim de preparar a luta contra o irmão Miguel pelo trono de Portugal, onde é tido como traidor. No meio do Atlântico, a bordo de uma fragata inglesa, misturam-se membros da corte, oficiais, criados e escravos, numa babel de línguas e de posições sociais. Pedro tenta reunir forças para a guerra fratricida que se aproxima mas a doença e o medo da morte lançam-no numa espiral de delírios. Revive diversos momentos da sua vida, a infância, o casamento com Leopoldina, o romance com Domitila de Castro e imagina discussões com o irmão.
Partindo de uma lacuna nos relatos históricos, a realizadora imaginou a viagem de regresso a Portugal de D. Pedro num ousado exercício de encenação histórica que conta com Cauã Reymond, Victoria Guerra, Luise Heyer, Francis Magee, Isabél Zuaa, Rita Wainer, Welket Bungué, Isac Graça, Luísa Cruz e João Lagarto, no elenco.
Sobre o projeto, a realizadora explicou ao C7nema numa entrevista em dezembro: “Este foi o meu desafio. Pegar um facto histórico, uma personagem muito importante e para o Brasil e para Portugal e trazer um olhar crítico, meu, enquanto mulher. Ele é um dos maiores representantes dessa estrutura patriarcal da sociedade, um opressor de todas as mulheres ao seu redor, o que, para aquela época, parecia o padrão normal, apesar dele até extrapolar o que era considerado padrão. Eu escolhi, como o meu desafio, fazer uma cinebiografia, trazendo um olhar para a personagem em que me interessasse mais olhar para dentro dele do que para os factos e para suas realizações.“






