Nascido a 25 de abril de 1941, o cineasta francês Bertrand Tavernier faleceu hoje aos 79 anos.
Sobrevivente de tuberculose em jovem, estudante de direito transformado em critico de cinema (na Positif e Les Cahiers du Cinema, entre outros), cineclubista e publicista em França (de filmes de Jean-Pierre Melville, Eliza Kazan, Joseph Losey, John Ford e Raoul Walsh), Tavernier estreou-se como assistente de realização do seu colega de liceu Volker Schlöndorff em 1960, na curta-metragem “Wen kümmert’s?“, seguindo-se a solo na realização de um segmento da antologia “Les baisers” (1964).
Foi novamente assistente de realização em “Uma Questão de Honra” (1966), de Luigi Zampa, e em 1974 filmou na sua cidade, Lyon, “O Relojoeiro“, que não só lhe valeu o Prémio Louis Delluc e o Urso de Prata em Berlim, mas iniciou um percurso colaborativo chave com o ator Philippe Noiret.

Um ano depois entregou “Vamos a Isto Que É Festa” (1975), vencedor de 4 Césars em 1976 assina “O Juiz e o Assassino” (1976), com Noiret e Isabelle Huppert no elenco. Um ano depois, estreia “Geração Estragada” (1977), com Michel Piccoli no protagonismo.
Nos anos 80, Tavernier foi muito prolifero, entrando na década com dois filmes: “A Morte em Directo” (1980), presente na Berlinale; e “Uma Semana de Férias” (1980), estreado em Cannes. Seguiu-se “Justiceiro por Conta Própria” (1981), dois documentários (Philippe Soupault; Mississippi Blues) e duas curtas-metragens (La 8ème génération; Ciné citron).
Voltou ao grande ecrã em 1984 com “Um Domingo no Campo” (1984), que lhe valeu o prémio de realização em Cannes e uma nomeação aos Globos de Ouro; e “À Volta da Meia-Noite” (1986), consagrado nos Oscars pela melhor banda-sonora (a cargo de Herbie Hancock).
“La passion Béatrice“, “La vie et rien d’autre“, “Daddy Nostalgie“, “A Filha de D’Artagnan” e “Capitão Conan” foram alguns dos títulos que se seguiram, onde se destacam ainda, já no novo milénio, “A Princesa de Montpensier” e “Palácio das Necessidades“.
Na sua extensa carreira, publicou várias obras consagradas ao cinema americano, como “50 ans de Cinéma Américain“, em 1995, mas que já era de si uma evolução do trabalho publicado no início dos anos 70 com o historiador da sétima arte, Jean-Pierre Coursedon, “30 ans de Cine Américain“.
Homenageado com o Leão de Ouro na 72ª edição do Festival Internacional de Veneza, em 2015, Tavernier foi ainda responsável pelo documentário de 2016 “Uma Viagem Pelo Cinema Francês com Bertrand Tavernier” e pela série de TV documental “Viagens pelo Cinema Francês” (2017).
Além do seu trabalho no cinema e escrita, o realizador e argumentista ficou também conhecido pelas suas fortes posições políticas, denunciando a tortura durante a guerra da Argélia, defendendo a legalização dos migrantes sem documentos, e combatendo a Frente Nacional.





