“Só resto eu e o Jacques Rozier”, diz Jean-Luc Godard sobre a Nouvelle Vague

(Fotos: Divulgação)

Numa entrevista à televisão suíça RTS, por ocasião do lançamento do seu O Livro de Imagem, falou sobre a morte de Agnès Varda, o desejo que tem em fazer um filme sobre os coletes amarelos em França, e  o seu trabalho com atores como Johnny Halliday, Jean-Paul Belmondo e Alain Delon.

Atualmente com 88 anos, Godard descreveu Varda como “uma companheira de viagem“, notando que da verdadeira Nova Vaga já só restam dois nomes: ele e Jacques Rozier. O realizador falou ainda de uma ligação especial com o falecido Johnny Hallyday, com quem “tinha uma verdadeira empatia“, e da sua relação com Belmondo e Delon, estrelas de cinema em queda que o levaram a trabalhar com eles e que respeitava. 

Finalmente, Godard expôs ainda o desejo de fazer um filme sobre os coletes amarelos, um trabalho “sobre uma França que entra em pânico“. “Não o faria na Suíça, na Alemanha ou na Jugoslávia“, explicou, acrescentando que ficou impressionado com a imagem de uma jovem nas ruas: “No outro dia, vi uma menina na rua a caminho da escola, e na sua camisola tinha escrito ‘pânico’. Ainda assim, ela estava a ir para a escola a bom passo“.

Refutando a recorrente acusação de dureza, Godard abordou vários temas pessoais, como a sua infância, o internamento psiquiátrico e a tentativa de suicídio por amor. O cineasta mostrou-se ainda feliz pelo facto de os jovens hoje em dia assistirem a um filme como O Desprezo (1963) e gostarem: “Os jovens dizem: ele é velho, mas fala como nós“.

 

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