Léa Seydoux critica colegas e relembra abusos nas filmagens de “A Vida de Adèle”

(Fotos: Divulgação)

A atriz francesa Léa Seydoux, conhecida por filmes como Spectre e A Vida de Adèle, vai fazer parte do júri do Festival de Cannes e numa entrevista revista Elle falou do seu apoio ao movimento Time’s Up, deixando pelo caminho críticas – sem nomear ninguém – a algumas atrizes que a atacaram quando há cinco anos atrás descreveu o seu trabalho com Abdellatif Kechiche como uma experiência horrível.

Primeira frente: Salário igual entre atores e atrizes. Outra mudança necessária, solidariedade entre as mulheres (…) Há muito trabalho a fazer. Em França houve muitas vozes divergentes sobre este assunto [Weinstein] no inverno mas isso não me surpreendeu“, disse ela, acrescentando: “Quando eu disse, há cinco anos, que a Adele Exarchopoulos e eu fomos abusadas no set de A Vida de Adèle, atrizes famosas criticaram-me, e fomos aconselhadas a calar-nos se quiséssemos continuar a trabalhar“. A atriz diz ainda que talvez agora percebam melhor as suas queixas e testemunhos do que na época.

Recorde-se que em 2013, e depois do filme conquistar a Palma de Ouro, numa entrevista conjunta com a sua colega Adèle Exarchopoulos ao The Daily Beast, Léa afirmou que em França as coisas eram muito diferentes dos EUA e que os realizadores tinham todo o poder, ficando os atores encurralados e obrigados a aceder a tudo o que lhes exigem.

Na mesma conversa, Léa afirmou-se exausta, até porque supostamente as filmagens deveriam ter durado apenas dois meses, mas prolongaram-se por cinco meses e meio. Já Adèle afirmou que muito foi conseguido do seu papel porque realmente estava a sofrer nas filmagens. Como exemplo deu a cena de luta, uma sequência descrita como terrível e onde Léa realmente lhe bateu – isto enquanto o cineasta e a restante equipa gritava por isso mesmo. 

 

«[Kechiche] filmou a cena com três câmaras. Por isso, a cena de luta foi um take continuo de uma hora. Durante as filmagens, eu tinha de a empurrar para fora de uma porta de vidro e gritar “Desaparece”. [A Adèle] bateu com a porta e cortou-se, estava sangrar por todo o lado, a chorar, com o nariz a sangrar, e depois disso [Kechiche] disse: «Não, não acabamos. Vamos repetir tudo».  Adèle completa, afirmando: «Nessa cena ela [Léa] tentou travar o meu nariz de sangrar e ele [Kechiche] gritou: «Não! Beija-a! Lambe o ranho dela]….».

Harvey Weinstein 

Em outubro passado, a atriz descreveu numa coluna publicada no jornal britânico The Guardian como o produtor americano Harvey Weinstein tentou forçá-la a beijá-lo numa (suposta) reunião de trabalho no hotel onde ele estava hospedado: «Ele era encantador, engraçado, inteligente – mas muito dominador. Ele queria tomar uma bebida e insistiu em marcar o encontro nessa mesma noite. Não era uma reunião de negócios. Ele tinha outras intenções – eu vi com muita clareza. Encontramo-nos no  lobby do hotel. A sua assistente, uma jovem mulher, estava lá. Ao longo da noite, ele flertou e olhou para mim como se eu fosse um pedaço de carne. Ele agiu como se ele estivesse a considerar-me para um papel. Mas eu sabia que era mentira. Eu sabia disso, porque eu podia ver isso nos seus olhos. Ele parecia excitado. Ele usou o seu poder para fins pessoais, pensando que poderia dormir comigo. Convidou-me para tomar uma bebida no quarto do hotel. É difícil dizer-lhe que não, todas as mulheres têm medo dele. Subimos juntos. Rapidamente, a sua assistente saiu e ficamos só nós dois. Foi  esse o momento em que ele começou a perder o controle. Estávamos a falar no sofá quando ele de repente saltou para cima de mim e tentou me beijar. Eu tive que me defender. Ele é alto e gordo, então eu tive que resistir vigorosamente. Eu sai, completamente enojada, mas nunca tive medo dele porque sabia desde o início com quem lidava.»

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