
Estavamos em novembro de 2017 quando surgiram relatos que vários cinemas do Reino Unido e na Índia tinham sido ameaçados de destruição caso exibissem Padmavati, um filme de Bollywood que tem causado graves tumultos e cujo realizador e equipa têm, literalmente, a “cabeça a prémio”.
As ameaças vêm de um grupo extremista da casta Rajput, intitulado de Karni Sena, que prometeu “queimar cinemas” caso o filme de Sanjay Leela Bhansali fosse projetado. Em causa estão as incoerências históricas e o conteúdo sexualmente ofensivo, entre elas uma alegada sequência onde a rainha hindu tem sexo com um sultão muçulmano. O realizador do filme, Sanjay Leela Bhansali, nega a existência dessas cenas.

Sanjay Leela Bhansali
A situação ganhou uma nova proporção quando nas proximidades dos locais das rodagens, na região de Jaipur, foi encontrado um corpo enforcado junto a mensagens dirigidas ao filme. A ANI News divulgou em novembro que o corpo fora identificado como um local e junto ao cadáver estariam mensagens como a seguinte: “Nós não queimamos Efígies, nós enforcamos”. Mais tarde a polícia disse que o homem tinha todas as marcas e sinais que apontavam para o suicídio, mas desde então a especulação ganhou terreno, principalmente depois da família do homem não acreditar nessa teoria.
Apesar de alguns estados indianos recusaram a estreia do filme, após estes incidentes, um decreto do Supremo Tribunal ordenou que a fita seja exibida em todo o país, estando programada para amanhã a sua chegada às salas. Essa decisão tem levado a novos e violentos protestos e mesmo à oferta de recompensas se o cineasta, os produtores e a protagonista –Deepika Padukone (xXx: The Return of Xander Cage) – forem assassinados.

Deepika Padukone
Pelo menos 16 pessoas foram presas na terça-feira passada em Ahmedabad, no estado de Guajarat, a norte de Mumbai, num protesto de cerca de 200 pessoas contra o lançamento do filme. Carros e scooters foram incendiados, pedras foram atiradas contra os cinemas e, no domingo passado, os manifestantes bloquearam as estradas e causaram a suspensão dos serviços de transporte. Os líderes do Karni Sena disseram que a situação irá “piorar” caso o filme tenha a sua estreia comercial.
Padmavati relata o conto de Rani Padmavati, uma rainha que surge nas estrofes de um poema do século XVI por Malik Muhammad Jayasi, e que se imola ao invés de aceitar ser capturada por um sultão que a deseja. O filme tem como base uma interpretação de Bhansali do poema: «o filme é um tributo à rainha dos Rajput e não prejudicará os sentimentos de ninguém“, disse.

