
Numa entrevista ao Paris Match – que preparou um especial sobre os 60 anos da sua carreira – o ator Alain Delon, atualmente com 82 anos, mostra-se desolado com o estado das coisas nos dias de hoje, afirmando que a vida já não lhe dá muito e que os tempos que vivemos são “nauseantes”: “Há aqueles seres que odeio. Tudo está errado, tudo está errado. Não há mais respeito, não há mais palavras dadas. Apenas conta o dinheiro. Nós ouvimos falar de crimes todos o dias. Sei que vou deixar este mundo sem arrependimentos“, diz Delon depois de revisitar a sua carreira, e o relacionamento difícil com a família, as mulheres que amou e os amigos que perdeu.
“Quase todos estão mortos “, diz, fazendo lembrar as palavras que proferiu aquando da morte da atriz francesa Mireille Darc, em agosto passado, da qual foi companheiro durante 15 anos: “Ela era a mulher da minha vida. Nós fomos tão felizes juntos (…) Era a minha metade. Não perguntávamos nada, nos completávamos (…) sem ela posso partir“.

O ator de filmes como O Ofício de Matar (1967), A Piscina (1969) e O Círculo Vermelho (1970) diz ainda que atualmente não há lugar na sua vida para uma mulher, frisando que existem candidatas, mas que não encontrou ninguém para poder terminar os seus dias na sua companhia.
Sobre as filmagens do seu “último filme“, planeado com Patrice Leconte e onde ele deveria contracenar ao lado de Juliette Binoche, Delon diz que o projeto foi abandonado, mas admite que gostaria de participar num filme uma “última vez“. “Nunca sonhei com esta carreira, ela apareceu (…) Eu não fui feito para ser o Alain Delon, devia estar morto há muito tempo, é chamado de destino“.
Na entrevista, ator insiste também na importância dos cães na sua vida, cerca de cinquenta animais enterrados na sua propriedade, com quem ele deseja ser enterrado.

