Esse é o tema mais recorrente entre os dez filmes na mostra organizada pela Casa da América Latina. “Habanastation” que mostra o dia-a-dia de Cuba através dos olhos de um menino que se perde durante as comemorações do 1º de maio é a obra inaugural. O panorama de cinema latino-americano começa nesta quinta-feira (13/12) e termina domingo (16/12) no cinema São Jorge, em Lisboa. Mais nove filmes completam a mostra:
“Verdades Verdaderas: a Vida de Estela” é um filme argentino sobre uma das fundadoras do movimento as Avós de Maio, um dos muitos organizados pelas mulheres argentinas que perderam maridos, filhos, irmãos, pais, durante a terrível ditadura naquele país;
“Bosch: Presidente en La Frontera Imperial” é um documentário sobre o primeiro presidente eleito democraticamente na República Dominicana após a queda de Rafael Trujillo, que durante décadas governou ditatorialmente o país com o apoio norte-americano;
A ditadura também é o tema de “Hoje”, de Tata Amaral, filme brasileiro que trata de uma viúva que recebe uma indemnização do governo brasileiro pelo desaparecimento do seu marido durante o período mais negro da ditadura. Com o dinheiro, pode comprar o tão sonhado apartamento e reconstruir sua vida destruída, mas o processo não será assim tão simples;
“Abuelos”, do Equador, conta a história da procura da realizadora por reconstruir a história dos avós – ambas nebulosas. Um deles era um militante comunista morto pela ditadura chilena na década de 1970; outro era um médico autodidata que buscava a fórmula para imortalidade. Duas histórias perdidas…
Duas das figuras mais marcantes da história argentina são as protagonistas de “ Juan Y Eva”, que aborda os primórdios da relação entre Juan Peron e Eva – muito antes desta tornar-se Evita e quando ainda não passava de uma atriz que nada compreendia de bastidores políticos;
Do Chile, “La Jubilada” narra a história de um mulher que volta para a sua pequena cidade após anos na capital a dedicar-se ao cinema porno. Olhada com desconfiança pelos seus conterrâneos, tenta reconstruir os laços familiares;
O venezuelano “Hermano” narra a história de dois irmãos que lutam por um lugar ao sol no mundo do futebol. Têm sua grande oportunidade quando são descobertos por um olheiro, mas uma tragédia os vai obrigar a escolher entre o futebol, os laços familiares ou a vingança. Recebeu prémios em Los Angeles e Moscovo, além de ter representado o país na corridas aos Oscars;
O mexicano “Alamar” já recebeu o prémio máximo no Festival de Roterdão e narra a história de uma viagem marítima ancestral que reúne pai e filho, juntos num último verão inesquecível;
A dura realidade das favelas é o tema central do brasileiro “Flordelis, Basta Uma Palavra para Mudar”. O documentário mostra a luta de uma mãe para conseguir educar os dois filhos num ambiente hostil.

