
O realizador francês Michel Gondry está no Brasil para apresentar o seu filme “Be Kind, Rewind” e para a abertura de uma exposição, no Museu da Imagem e do Som, baseada no filme.
Quanto ao mercado publicitário, Gondry mostrou semelhante aversão: “tenho contradições e dilemas éticos quanto a anúncios. Quando faço um vídeo com liberdade total, muitas vezes me pedem para repetir a ideia num anúncio. Às vezes aceito porque preciso do dinheiro, mas não me sinto muito feliz”, confessa.
Sobre os avanços tecnológicos recentes, como câmaras digitais e os sites de partilha de vídeo, Gondry acha-os um fenómeno complicado: “A Internet é uma ferramenta poderosa, que realmente conecta as pessoas, e assim parece fácil produzir filmes com esses recursos. O problema é que, para mim, é preciso presença física na produção. As novas tecnologias não fazem as pessoas aproximarem-se fisicamente e o sentido de comunidade precisa disso”.
A posição parece antiquada, mas é o próprio Gondry que se assume como tal: “Sou meio antiquado. Quando o meu filho foi morar comigo para Nova Iorque, proibi-o de jogar consola. Só usamos a TV para ver os DVDs que compro ou alugo. Acho que isso me ajuda a mergulhar no processo criativo”, comentou enquanto se ria.
Para ter as ideias inovadoras que explora nos seus filmes, Gondry conta que parte de uma ideia, faz um primeiro rascunho e que nesse ponto tem de superar as suas inseguranças para levar o projecto avante. Questionado sobre a legião de fãs que seus filmes independentes conquistaram no mundo todo, ele dispara: “Prefiro que meu trabalho tenha estimulado alguém, do que tenha servido como inspiração”.
Fontes: Globo e Abril
João Miranda

