Os 10 melhores filmes de 2012, por Paulo Portugal

(Fotos: Divulgação)
Depois de termos mostrado ontem os melhores do ano para o C7nema [ver aqui], vamos à lupa ver as escolhas individuais de cada um dos colaboradores do c7nema que contribuíram para esse top. Aqui ficam as escolhas de Paulo Portugal.
 
  
 
 
De acordo com as regras da estreia nacional em sala ou nos Festivais de Cinema locais, é esta a minha lista ordenada dos melhores filmes de 2012. Desde já, a curiosidade, é que a maioria contempla produções de… 2011. Com a inesperada curiosidade de todos eles terem sido vistos em festivais de cinema, nos últimos dois anos.


Vergonha, de Steve McQueen (2011)
 
Quando o vi na projeção de imprensa, durante o festival de Veneza de 2011, percebi que dificilmente seria superada esta perturbadora viagem ao interior do nosso isolamento, gerado por essa paradoxal histeria global que promove o corpo e a carne em vez da mente. Avassalador Michael Fassbender. Tanto quando olha (e come com o olhar) uma passageira no metro, ou se comove ao ouvir a irmã Carey Mulligan cantar ‘New York, New York’. Aí somos todos nós que choramos.

Moonrise Kingdom, de Wes Anderson (2012)
 
Num mundo em que adolescentes são precoces e adultos imaturos, nasce a mais singela história de amor. Se duvidas houvesse que Wes Anderson é o mais original e interessante cineasta americano da atualidade, ficariam agora por terra. Metódico, preciso, perfeito. Sem deixar de ser emotivo. O filme de abertura de Cannes deste ano, foi afinal de contas o melhor.

Dans la Maison, de François Ozon (2012)
 
Aconteceu, subitamente, no final do verão passado, e no festival menos esperado – San Sebastian – que vimos aquele que será seguramente um dos candidatos aos melhores de… 2013. Quando estrear por aqui em sala. Onde o matreiro realizador nos envolve na mais arrebatadora das tramas. Em que um professor de literatura (genial Fabrice Luchini) se enreda no contexto das redações confessionais de um aluno brilhante. É teatro, é cinema, é uma pequena obra-prima!

O Artista, de Michael Hazanavicious (2011)
 
O meu preferido de Cannes de 2011, acabou ‘apenas’ por arrebatar os principais Óscares. Visto e revisto continua a ser o mais fascinante exercício ao interior de Hollywood. Curioso ser concebido por um francês, que conquistou no mudo com o aplauso global. Cada vez que se vê, destila-se toda uma saudosa memória do cinema.

O Cavalo de Turim, de Béla Tarr (2011)
 
Do realizador que anunciou a ‘reforma’ em Berlim de 2011 ainda se sentem nos ouvidos a cadência pesada da marcha esgotante de uma carroça que parece carregar a esforço toda simplicidade e pureza do cinema; como se o autor crucificado carregasse a sua cruz. Mas não, está lá o (quase) ‘fait divers’ do cavalo de Nitetzsche para baralhar. Por tudo, muito gostávamos que houvesse uma ressurreição.

Tabu, de Miguel Gomes (2012)
 
Afinal o pequeno quadrado de luz que se formou na gigantesca sala da Berlinale, o ano passado, converteu-se em apaixonante e ousada deriva por um passado português que pode muito bem englobar toda a memória do cinema. É o topete do premiado Miguel Gomes que junta a aventura da descoberta ao peso do fado tão lusitano. Só temos é de saber conviver com ele.

Temos de Falar Sobre Kevin, de Lynne Ramsay (2011)
 
Temos de falar de Lynn Ramsay se procuramos uma realizadora que celebra a estranheza com um cinema mais absorvente. Três longas em doze anos, e quase dez antes do penúltimo. Choque em Cannes, 2011, com o melhor de Tilda Swinton e afirmar de uma vez por todas Ezra Miller. Quase premonitório o drama da mãe de um ‘serial killer’ juvenil…

Os Descendentes, de Alexander Payne (2011)
 
Um grande filme disfarçado de corriqueiro filme de família, onde não falta sequer a presença de Clooney. Um dos eventos do festival de Londres (2011), onde realizador e ator mostraram o melhor que já fizeram. É quase uma comédia romântica. Ou será um melodrama romântico? Nem um nem outro.

Amor, Michael Haneke (2012)
 
É o ai-Jesus do momento, conquistando corações de novos e velhos, depois da Palma de Ouro em Cannes, e do Prémio do Cinema Europeu. Mas é no despretensiosismo deste ‘amor’ octogenário, convertido em companhia para celebrar os pequenos momentos e gestos, que ganha credibilidade o pacto ‘até que a morte nos separe’. Depois do ambicionado ‘Lenço Branco’, o simples esboço teatral.

Polissia, de Maiween (2011)
 
Fortíssimo, como policial de costumes, em estilo irrequieto de série de TV de qualidade. Muito mais credível essa escolha de género e estilo, bem como a ousado do tratamento do tema, que propriamente algumas soluções narrativas. Até a presença da realizadora no filme é questionável… Ainda assim, foi um daqueles murros no estômago que gostamos de levar em Cannes 2011.

Últimas