A Academia Portuguesa de Cinema anunciou hoje que o Prémio Bárbara Virgínia de 2024 será atribuído à realizadora Monique Rutler.
Instituído em 2015, esta distinção presta homenagem a mulheres que tenham contribuído de forma notável para o cinema português, perpetuando a memória de Bárbara Virgínia, a primeira mulher a realizar um filme de ficção em Portugal, em 1946.
Nascida em 1941, na Alsácia, chegou a Portugal ainda em criança, onde construiu uma carreira cinematográfica marcada por um profundo compromisso social e político, logo a partir de 1971. Frequentadora da primeira turma do Curso de Cinema do Instituto das Novas Profissões em 1970/71 e, posteriormente, da Escola Piloto para a Formação de Profissionais de Cinema do Conservatório Nacional, em 1972/73, Rutler destacou-se como montadora em filmes de grandes nomes do cinema português, como Manoel de Oliveira e José Fonseca e Costa, antes de se afirmar como realizadora, tendo assinado mais de 40 filmes, entre curtas, longas, documentários e ficções, figurando-se entre elas “Velhos São os Trapos“, “Jogo de Mão” e “Solo de Violino“.
Recorde-se que Monique Rutler teve direito a uma restrospetiva recente na Cinemateca Portuguesa . A acompanhar o ciclo, a Cinemateca lançou o catálogo Monique Rutler – “Isto Vai Mudar!, onde “se propõe uma reavaliação da obra da realizadora através de ensaios originais e novas entrevistas (Ana Isabel Soares, Ricardo Vieira Lisboa, Maria Antónia Palla), da republicação de textos preexistentes (Natália Correia, Maria Teresa Horta, Luís Miguel Oliveira, Maria João Madeira, entre outros), da publicação de textos inéditos (Paulo Rocha, David Mourão-Ferreira e vários ensaios da própria Monique Rutler) e de um vasto número de testemunhos de diversos colaboradores (São José Lapa, André Gago, Mário Barroso, Luís Cília, Fernando e João Matos Silva, José Nascimento, Philippe Constantini, Filipe La Féria, Castro Guedes)”.

