Homenageada em Locarno, Marianne Slot fala de “Ø”- o novo projeto de Lars Von Trier

(Fotos: Divulgação)

Diagnosticado com a doença de Parkinson, quando estava a ultimar os trabalhos da terceira e última época da série “The Kingdom Exodus”, Lars Von Trier chegou a afirmar que temia não voltar a assumir o papel de realizador.

Porém, numa entrevista ao C7nema no Festival de Locarno, a produtora Marianne Slot, que trabalha com Trier desde “Breaking the Waves“, não só nos informou que “a doença está controlada, ele está medicado e estável“, mas que o dinamarquês já tem um novo projeto: “Ele está a trabalhar “Ø”, que significa ilha. É um projeto, bem, uma ‘troca’ com outro realizador, o Christoffer Boe. Serão cerca de 100 horas a falar de cinema, de forma muito estruturada. É material de escola de cinema. Não sei muitos detalhes, mas estou absolutamente entusiasmada com isso” .

Presente em Locarno para receber o Prémio Raimondo Rezzonico, destinado a produtores, Slot explicou-nos também a origem da sua parceria com Trier, o qual conheceu nos tempos de “Epidemia“: “Sou dinamarquesa, mas fui para Paris com 20 anos. Não sabia bem o que queria fazer na vida, mas rapidamente decidi e comecei a trabalhar numa distribuidora. Foi nesse contexto que o conheci e entendi que queria estar mais próxima do processo de criação e produção. Abri a minha empresa, a Slot Machine, em 1993, e, um ano depois, como o Lars e o seu parceiro de negócios queriam abrir um departamento em Paris para iniciar coproduções. Eu queria trabalhar com eles, mas como era inexperiiente ainda, optaram por outra pessoa. Felizmente as coisas não correram bem nessa parceria, ele voltou a falar comigo e pediu para eu me juntar à sua equipa. Comecei com o “Breaking The Waves” e já vamos numa colaboração há quase 30 anos.

Premio Raimondo Rezzonico – Marianne Slot

Slot receberá o Raimondo Rezzonico na noite de sábado, 5 de agosto, a que se seguirá a exibição de um de um dos seus sucessos recentes, “Woman at War” (Mulher em Guerra) de Benedikt Erlingsson, um ator, encenador e realizador, com quem a produtora adora trabalhar. “Ele entrou no “Os Idiotas” de Von Trier e conheci-o aí de raspão. Durante vinte anos fui também delegada do cinema escandinavo no Festival de San Sebastián. Vi o seu primeiro filme, “Of Horses and Men“, e selecionaram-no para o festival. Nessa altura fui ter com ele e ofereci-me para trabalhar com ele. Pouco tempo depois ele voltou a contactar-me e ofereceu-me a produção do “Woman at War”. Mas foi uma viagem muito longa até encontrar financiamento. Muito pediam para a heroína ter à volta de 35 anos, mas eu disse que não. Esta mulher teria à volta de 50 anos, seria uma heroína de ação. Além disso, também não gostavam dos interlúdios musicais, que soavam estranhos, mas que são um dos destaques do filme. É um filme único e foi um sucesso enorme”.

AEntre muitos outros, a produtora trabalhou ainda com Lucrecia Martel (La mujer sin cabeza, 2008), Lisandro Alonso (Liverpool, 2008; Eureka, 2023, Naomi Kawase (Vision, 2018) e Sergei Loznitsa (Krotkaya, 2017).

O Festival de Locarno encerra no próximo dia 12 de agosto.

Link curto do artigo: https://c7nema.net/td8i

Últimas