Eclético? Não. Inclusivo! Festival de Locarno arranca para a sua 75ª edição

(Fotos: Divulgação)

Não acredito em ecletismo. Ser eclético é ter um pouco de tudo e não aprofundar nada. Acredito em ser inclusivo. E incluir requer ter os olhos abertos não apenas para o novo, para as revelações, como para novas potências de vozes autorais já estabelecidas.

GIONA A. NAZZARO, director artístico do Festival de Locarno

Pronto para iniciar a sua 75ª edição já esta quarta-feira, 3 de agosto, com a mudança de espírito do certame iniciada já no ano passado, o Festival de Locarno assume-se mais uma vez como uma das principais montras do cinema mundial, olhando para Cannes, Veneza e Berlim sem desdém e com a sua própria agenda artística e ritmo.

Nunca desprezando as grandes produções de Hollywood movidas pelo comércio, enquanto lança novas vozes e seleciona autores consagrados, Locarno tem acima de tudo criado uma voz muito particular e única no universo festivaleiro.

Por isso mesmo, decidimos juntar 5 razões porque Locarno é um poço de atração de talentos da mais diversa índole, e que esta 75ª edição tem tudo para se revelar um sucesso

“Bullet Train” a abrir

É com o star power de Brad Pitt e o “Bullet Train” que o festival arranca oficialmente a sua programação, numa sessão que se espera esgotar a já mítica Piazza Grande, uma sala de cinema ao ar livre no coração da cidade suíça. No filme, Pitt é “Joaninha”, um assassino azarado determinado a fazer pacificamente mais um trabalho, depois de muitos outros terem dado para o torto. Mas o destino de “Joaninha”  coloca-o em rota de colisão com adversários letais de todo o mundo, tudo no comboio mais rápido do mundo.

Um filme assinado por David Leitch, um dos criadores e realizadores de “John Wick”, e de “Deadpool 2”.

Autores consagrados

Aleksandr Sokurov

De Costa-Gavras a Kelly Reichardt, passando por Laurie Anderson, Locarno volta a celebrar autores que têm marcado a história do cinema e do mundo das arte através da atribuição de prémios honorários. Aos três nomes acima mencionados, juntamos com a mesma preponderância o de Jason Blum, produtor-autor que tem revitalizado como ninguém o cinema de horror do século XXI, mostrando que a celebração de nomes ligados ao género não pode chegar tardiamente, como acontecia no passado.

O nome de grandes autores – em permanente reinvenção – chega também à Competição, com o inigualável Aleksandr Sokurov a levar até à Suíça o seu mais recente filme: “Fairytale”. E, claro, na Retrospectiva encontramos Douglas Sirk.

Nomes a confirmar…

Se Sokurov ou João Pedro Rodrigues são nomes já estabelecidos no panorama mundial, outros têm paulatinamente imposto trabalhos muitos próprios que lhes deram o estatuto de autores a seguir. Carlos Conceição é um deles, sendo acompanhado por nomes como Hilal Baydarov (que brilhou há dois anos com “Entre a Morte”), ou Alessandro Comodin (do belíssimo “L’estate di Giacomo”), e ainda Helena Wittmann (de “Drift”) ou Sylvie Verheyde (“Stella”; “Madame Claude”).

Todos eles têm títulos na competição internacional do certame e todos eles deverão dar que falar ao seu jeito. E não podemos esquecer os enfants terribles Caroline Poggi  e Jonathan Vinel, que depois de “Jessica Forever” regressam com uma curta-metragem em competição: “Il faut regarder le feu ou brûler dedans”.

Língua Portuguesa em todo o lado

Nossa Senhora da Loja do Chinês

São vários os títulos em língua portuguesa que percorrem a programação do certame. E se Portugal (“Nação Valente”, “Onde Fica Esta Rua? Ou sem antes nem depois” e “Objetos de Luz”) e Brasil (“Regra 34”: “É Noite na América”)  são territórios presentes com frequência em paragens helvéticas, é de Angola que poderá chegar a maior sensação do certame, através de “Nossa Senhora da Loja do Chinês” de Eric Claver.

Matt Dillon

Escolhidos a dedo

Se nomes como Matt Dillon e Aaron Taylor-Johnson trazem o brilho de Hollywood até Locarno, e Jason Blum o poder da produção norte-americana, Juliette Binoche (que faz de camionista em “Paradise Highway”), o eterno Udo Kier (Udo Kier) e a cada vez mais imponente no cinema francês Laura Calamy trazem a força do cinema de autor do continente europeu.

Um “star power” que entra em terreno nacional quando dois monumentos da atuação portuguesa, como Isabel Ruth e Luís Miguel Cintra, “fazem também uma perninha” bem emocionante no grande ecrã nos “Objetos de Luz” de Acácio de Almeida e Marie Carré.

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