Inaugurada em 1934 pelo Major Malcolm Wheeler-Nicholson (1890-1965) originalmente como National Allied Publications, rebatizada mais tarde com uma sigla homónima a do best-seller “Detective Comics”, a DC nasceu com o ímpeto de ser a maior indústria de super-heróis no mercado internacional da banda desenhada, numa época em que Flash Gordon e Mandrake povoavam imaginações.
A criação do Superman, em 1938; do Batman, em 1939; e da Mulher-Maravilha, em 1941 deram à companhia hegemonia sobre o imaginário de jovens dos EUA e de outros rincões do planeta onde a cultura “nerd” começava a nascer.
Nos anos seguintes, um recorrente investimento em Homem-Morcego e do último filho de Krypton mais o desenho “Superamigos”, mais a longa-metragem que Richard Donner (1930-2021) sobre as vis maquinações de Lex Luthor, fizeram do selo editorial de Wheeler-Nicholson um veio de fortuna para a indústria do pop. Veio que nem o sucesso da concorrente Marvel Comics – edificada a partir de 1961, com o Quarteto Fantástico – foi capaz de obliterar. O estouro do “Batman” de Tim Burton em 1989 e das releituras geopolíticas do vigilante, feitas por Christopher Nolan de 2005 a 2012, trouxeram à companhia ainda mais popularidade, sem contar a sua presença em séries do canal CW, com “Arrow” e “Legends of Tomorrow”, além das animações da Liga da Justiça.
Todo esse histórico vai estar em celebração neste sábado, na segunda edição do evento que pode redesenhar as engrenagens dos fóruns virtuais do entretenimento: a DC Fandome. Milhões de leitores de BDs do planeta inteiro depositaram as suas atenções diante da internet, em agosto de 2020, para prestigiar o que a DC Comics tinha (tem e terá) a oferecer de mais rentável à indústria do entretenimento em um evento online. Evento que varou noite afora, a mobilizar estrelas de cinema (Gal Gadot, Dwayne The Rock Johnson, Ezra Miller); cineastas emergentes como Patty Jenkins e Matt Reeves; desenhistas premiados; e até dobradores de vários países (como Ettore Zuim, voz brasileira de Christian Bale na franquia “Batman” de Christopher Nolan). Em apenas um dia, com apresentadores de todo o mundo, a DC Fandome fez História, com direito a desafiar a popularidade das feiras mais astronómicas do mercado “nerd”, como a Comic-Com de San Diego – outrora a maior festa desse público.

Num tom grandiloquente, a DC Fandome anunciou lançamentos como o filme “Black Adam”, com The Rock (ainda inédito), e o recém-lançado “Esquadrão Suicida”. O êxito foi tanto que uma nova edição, já associada à Warner Bros. e à HBO Max (parcerias naturais), já está marcada para este sábado, 16 de outubro, com a promessa de redefinir padrões de audiência online. Fortes expectativas rondam as atrações audiovisuais a serem anunciadas nessa maratona multimédia, como a série do Pacificador, “Peacemaker”, com John Cena, e o trailer do esperado “The Batman”, com o ator Robert Pattinson no papel de Bruce Wayne. Muito se fala de uma visita de Michael Keaton para comentar o seu regresso ao manto do guardião de Gotham em “Flashpoint”. Mas a espera por uma nova fornada de bandas-desenhadas ligados ao universo de Clark Kent é um dos chamarizes de público do Fandome. Este ano, a DC foi responsável por (mais) um marco da narrativa em quadradinhos: “Hellblazer Especial – Lady Constantine”, escrito por Andy Diggle, desenhado por Goran Sudzuka e colorido por Patricia Mulvihill. É a saga de uma feiticeira que é antepassada do mago John Constantine, envolvida numa caça à Caixa de Pandora.Nesse âmbito do papel impresso, uma das apostas da editora é o álbum de cem páginas comemorativo dos 80 anos da Mulher-Maravilha, que fez a sua estreia na revista “All Star Comics” #8 de 21 de outubro de 1941. É um produto de luxo, com histórias ilustradas por José L. García López, Amy Reeder, Paulina Ganucheau e Jim Cheung, escritas por Jordie Bellaire, Amy Reeder, Becky Cloonan e Michael Conrad. Outra heroína de peso que ganha destaque no DC Fandome é Ametista, a Princesa do Mundo de Cristal, badalada entre os fãs nos anos 1980. A graphic novel “Amethyst: Princess of Gemworld”, ilustrada por Asiah Fulmore e roteirizada por Dean Hale e Shannon Hale, é um empenho de seus editores para dialogar com leitores jovens, segundo um traço típico das animações da Pixar. É uma trama sobre a confluência de dois mundos: um, realista, sem apego a nada de fantasioso; outro, mágico, repleto de encantamento. E a adolescente Ametista está dividia entre eles.

Outra aposta para vendas milionárias é “Batman: The Imposter”, minissérie vitaminada pela arte sombria de Andrea Sorrentino. O roteiro de Mattson Tomlin dialoga com o filme estrelado por Pattinson, previsto para estrear em março. Na trama, o jovem Bruce Wayne caça um assassino que finge ser um vigilante. Em paralelo, a detetive Blair Wong voltou a sua atenção para Wayne como uma fonte de informações sobre o paradeiro do Morcego.
Outro namoro entre a DC e os cinemas é “Batman’89”, uma linha de BDs escrita por Sam Hamm baseada no universo da personagem que Tim Burton trabalhou em 1989. É um mergulho na estética burtoniana. Gotham ainda aparece nessa nova linha de títulos com “Arkham City: The Order Of The World” #1, no qual os internos do manicómio mais perigoso das revistas escapam e ensaiam um movimento revolucionário, tendo o Professor Porko à frente do bando.
Famosa pelas suas BDs horroríficas, a DC tem um novo terror para lançar no formato comic, a minissérie “Soul Plumber”. É a saga de um exorcista que, no empenho de expulsar demónios da Terra, abre um portal para uma dimensão de onde libera um alienígena assassino.
Toda a programação vai ter legendas em português (e em outras 12 línguas) e poderá ser acedida em www.DCFanDome.com ou via Twitch, YouTube, Facebook e Twitter.

