Vicky Knight: “Quero fugir do typecasting”

(Fotos: Divulgação)

Na noite de 27 de julho de 2003, a atriz Vicky Knight, então com oito anos, estava hospedada com quatro primos num apartamento acima do pub Prince of Wales em Stoke Newington, Londres, o qual pertencia ao seu avô e era administrado pelo tio e a sua esposa. Depois das crianças irem dormir, um incêndio criminoso deflagrou no edifício, queimando 33% do corpo de Vicky e matando dois dos primos.

Os eventos dessa fatídica noite serviram de inspiração para o novo filme da holandesa Sacha Polak, realizadora de “Hemel” e “Dirty God”, que conta com Vicky no protagonismo.

Vejo a Sacha como uma melhor amiga e fico-lhe agradecida por me dar a oportunidade novamente de poder partilhar esta história poderosa”, disse Vicky Knight ao C7nema durante a Berlinale, onde “Silver Haze” foi exibido na secção Panorama. “O ‘Dirty God‘ e o “Silver Haze” são filmes diferentes e trabalhar com a Sacha foi certa uma nova experiência. Mas trabalhar com a tua melhor amiga é sempre bom. (…) A maneira como ela trabalha é super libertadora. O “Dirty God” tinha um guião muito preciso, embora com alguma improvisação. Mas este “Silver Haze” foi muito mais livre“.

Embora uma ficção com muitos elementos biográficos da vida de Vicky, além da presença no elenco de um grande número de familiares seus, “Silver Haze” fala do passado, como este marca o presente, e como é preciso encerrar de alguma maneira um episódio que estará sempre no corpo e mente da protagonista. “A ideia do ‘Silver Haze’ surgiu quando estávamos a promover o “Dirty God”. E nasceu da Sacha fazer já parte da minha vida. Ela conhece-me bem, conhece a minha família. Estávamos a falar das minhas experiências de vida e foi assim que o guião foi surgindo.”

Admitindo que quando aceitou fazer o “Dirty Gold” não tinha consciência do que era ser protagonista, Vicky viu alguma atenção em si crescer depois de ganhar o o BAFTA de melhor atriz revelação. Ainda assim, e apesar de já ter um agente, o permanente convite para papéis muito ligados às marcas físicas do seu corpo levou-a a rejeitar inúmeros projetos, continuando – assim – como trabalhadora no Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido. “Quero fugir do typecasting“, explicou a atriz. Sobre tema a colega de elenco Esmé Creed-Miles, que trabalhara com Sacha Polak na adaptação a série de “Hanna” da Amazon acrescentou:.

A minha experiência de atriz e desta vida é muito diferente da da Vicky”, contou-nos a sua colega “de palco”, Esmé Creed-Miles, que trabalhara com Sacha Polak na adaptaçao a série de “Hanna” acrescentou: “Eu não passei pela mesma luta que ela vai ter sempre: o typecasting, as personagens marcadas por cicatrizes, etc. O que sinto e vejo na Vichy é algo muito raro: um talento incrível que não vemos muitas vezes no cinema ou televisão. Na verdade, creio que o mundo da atuação está cada vez mais como mandam as regras, sem qualquer tipo de risco. Anda muita porcaria por aí. A Vicky não é assim e, apesar de ter as suas experiências de vida, ela tem algo que mais ninguém tem: o poder de agarrar e transmitir emoções, o de se sentir real. Isso terá de ser aproveitado e explorado no futuro pelos realizadores”.

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