Samaritan: Stallone investe na lógica de ‘resgate’ para os super-heróis

"Samaritan" está disponível na Prime Video

(Fotos: Divulgação)

No meio de uma feroz campanha nas redes sociais contra o produtor Irwin Winkler, na disputa pelos direitos patrimoniais da franquia Rocky e as manchetes sensacionalistas sobre o seu divórcio da modelo Jeniffer Flavin, Sylvester Stallone tenta reinventar a sua popularidade milionária no streaming, com uma série (Tulsa King, para a Paramount Plus) ainda por vir, e uma longa-metragem na lista dos títulos mais falados da Amazon Prime. Samaritan teve uma recepção controversa entre a crítica (como é comum à carreira de Sly, apelido do ator), com aplausos de alguns, apupos de outros e até alguma indiferença. Porém, ele se empenha em injetar marxismo (como já se via na jornada de Balboa) no filão dos super-heróis. Stallone explicou esse empenho num webinário via zoom do qual o C7nema foi convidado.

Há uma conexão direta entre Samaritan e Shane (1953), de George Stevens ( Os Brutos Também Amambr). Essa ligação se dá pela relação entre Joe (Stallone) o Sam (Javon ‘Wanna’ Walton) nos moldes do que o faroeste da década de 1950 fazia com Alan Ladd e o pequeno Brandon De Wilde. Na trama filmada por Julius Avery (de “Operação Overlord”), Sam acredita que Joe é um cruzado mascarado chamado Samaritano, que desapareceu após uma luta contra o seu arqui-inimigo, Nemesis.  A partir daí, ele fará de tudo para que o sujeito cansado de guerra que tanto admira volte a proteger o povo da sua cidade. Mas um traficante com ares de líder populista, Cyrus (Pilou Asbæk), vai se apoderar de uma marreta energética usada por Nemesis e empregá-la para se tornar um símbolo para a bandidagem.

As perguntas e respostas a seguir fazem parte da palestra com o astro na qual o C7 fez perguntas sobre a dimensão mítica de Samaritan.

Qual seria a premissa que diferencia Samaritan de outros heróis?

A ideia de que possa haver um super-herói ao teu lado, nas ruas, e não notares. Não se trata de alguém que luta para preservar o seu passado, como é costume nestas narrativas, e, sim, do facto de Joe ser o contrário disso: alguém que luta para esquecer, para apagar o que foi, para seguir invisível. Mas Sam oferece-lhe uma redenção. A redenção é o que conta nesta história, como se fosse um Rocky com superpoderes. Joe lembra-me John Rambo uma vez que está sempre no limite da invisibilidade.

Mas qual é o desafio de investir no universo dos super-heróis sem repetir chavões da DC ou da Marvel?

Tem havido um grande acerto na escolha de realizadores na Marvel e na DC. Porém, a a nossa meta aqui foi criar um universo novo, partindo do princípio que você verá um homem idoso ser atingido por um carro, frontalmente, e sair ileso disso. Joe não é uma personagem que as pessoas conheçam. Então como acreditar nisso? Eu sei que, de alguma forma, virei uma marca, e que sempre encarnei personagens que não se enquadram na realidade. Mas o que importa mais aqui é uma dramaturgia de resgate afetivo. Sam tem grandes poderes, mas vive num espaço de derrota. E vai ser resgatado por uma criança.

Em Cannes, em 2019, quando foi homenageado pelo festival francês, disse que Steve Reeves, nos seus filmes sobre Hércules, foi o seu ídolo de juventude. MJoe parece uma mistura do filho de Zeus com os astros da luta livre, a julgar pelos seus movimentos. O que a luta livre acrescenta como referência aqui. ?

Adoro luta livre e assisto aos embates de wrestling com as minhas filhas. Sou fã dos lutadores e dos movimentos que criam. O cinema de ação tem uma coreografia de movimentos que nos encanta mesmo se assistirmos a ele sem som. É a força da imagem.

‘Samaritan’ é um projeto com a sua personalidade, ainda que assinado por Julius Avery e com as marcas pessoais dele. Pensa regressar à realização?

Preciso de energia, pois realizar significa ficar meses sem dormir, com pessoas a fazerem umas mil perguntas por dia que só tu podes responder. A luta é para não perder o prumo.

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