Uma Família de Doidos: Alexandra Lamy no regresso das comédias “body-swap”

"Uma Família de Doidos" chega aos cinemas a 5 de agosto

(Fotos: Divulgação)

Se pegarmos em todos os filmes do subgénero “body-swap”, em que as personagens por alguma razão trocam de corpos com alguém durante um filme, ou simplesmente acordam no corpo de outra pessoa, provavelmente o primeiro nome que vos vem à cabeça é “Big”, clássico da comédia dos anos 80 em que um miúdo após pedir a uma estranha máquina de um parque de diversões para crescer acorda no corpo de um homem de 30 anos (Tom Hanks). Apesar dessa transformação física, o rapaz mantém a mentalidade de criança, criando todo o tipo de peripécias perante quem o observa e acompanha.

O filme foi um sucesso e criou várias variações, quase sempre no registo da comédia, mas também alguns produtos de ação e ficção científica como o inesquecível “Face-Off, onde John Travolta e Nicolas Cage trocam de aparência num intenso jogo de perseguição de um agente da lei a um criminoso.

Voltando às comédias, Jennifer Garner teve o mesmo problema em “De repente, já nos 30”, Zac Efron lidou com o assunto em “17 Anos, Outra Vez!” e Jamie Lee Curtis, num remake de um filme dos anos 70, troca de corpo com a sua filha (Lindsay Lohan) em “Freaky Friday” (Um Dia de Loucos).

É de França que chega agora uma nova comédia no mesmo sentido, “Le Sens de la Famille” (Uma Família de Doidos), no qual seguimos uma família cujos membros acordam no corpo uns dos outros. Chacha, uma miúda de 6 anos, acorda  no corpo do pai. Por sua vez, o pai desperta no corpo do filho adolescente, e o filho no corpo da irmã mais velha. Já a irmã mais velha tem agora o corpo da mãe e a mãe surge no corpo da Chacha. E as trocas não se ficam por aí, pois a cada noite, os “corpos” são baralhados novamente. “Adoro este tipo de filmes. O ‘Big’, o ‘Freaky Friday’ são ótimos. Para mim esses filmes são a magia. Uma magia de qualquer coisa“, disse-nos a atriz francesa Alexandra Lamy em janeiro quando conversamos com ela sobre esta comédia que chega esta semana aos nossos cinemas: “Claro que esses filmes nos inspiraram, mas o importante no nosso é que há muita gente a trocar de corpo. Como fazer isto sem que os espectadores se percam na confusão? Honestamente, penso que conseguimos isso principalmente no eixo entre a Chacha (Rose de Kervenoaël) e a Mãe (Alexandra Lamy). É graças a essas duas personagens que o conceito ganha maior credibilidade. E no caso da Rose, que é uma criança, ela sempre esteve melhor e mais engraçada quando desempenha o papel da mãe e não da criança que é”. Para mim, é ela que dá a sinceridade e credibilidade desta história”. 

O senso de família

Se traduzirmos literalmente o título francês desta comédia, o resultado que obtemos é o “senso de família”. Na verdade, e como Alexandra Lamy nos explicou, antes de surgir “a magia” da troca de corpos, esta família era apenas um conjunto de pessoas que viviam juntas, sem qualquer forma, sentido de família. Por isso mesmo não foi necessário o elenco reunir-se muitas vezes antes das filmagens para criar essa dinâmica famíliar: “Estivemos todos antes das filmagens apenas duas ou 3 vezes para ensaiar. Depois, durante as próprias filmagens, ganhamos essa dinâmica, como a família que vemos no filme”. 

Uma Família de Doidos

Quanto ao cultivar uma masculinidade para a mostrar no filme, pois afinal de contas o corpo de Lamy também assume algumas personagens masculinas, como o do marido (Franck Dubosc), a atriz explicou: “Foi complicado em vários sentidos, até na atenção aos detalhes. Repare que se o meu marido usa óculos, mas de repente acorda no meu corpo, ele vai continuar psicologicamente a precisar usar óculos, mas agora isso transpõem-se em mim. O mesmo acontece com a sua forma de falar, a sua postura e atitude. Tínhamos de ter atenção a todos esses detalhes, todas estas pequenas coisas necessárias para encontrar um equilíbrio. Tinha de haver alguma subtileza mesmo na caricatura. É preciso encontrar uma sensibilidade particular em cada cena, pois quando vemos um filme muitas vezes temos a noção que o ator esforça-se em demasia para nos fazer rir. Foi muito complexo filmar tudo isto. Aliás, fazer comédia é muito difícil.” 

Um “feel good film” para tempos pós pandemia

Quando falamos com Lamy em janeiro ainda não passava pela cabeça de ninguém a existência de um novo confinamento, que chegaria em março, ou de um passe sanitário, introduzido em julho, e que em França, dada a sua obrigatoriedade nas salas de cinema, “deu a machadada final” na desgraça das salas de cinema.

Já em janeiro a atriz fazia “contas” à pandemia e como ela estava a afetar a cultura e especialmente a juventude francesa que estava impedida de fazer quase tudo. “Quando avaliarmos o número de jovens que vão entrar em depressão, isso será ainda mais violento que tudo o que o vírus nos trouxe. Espero que rapidamente reabram as coisas, senão será uma catástrofe que se vai sentir durante anos na psique destas pessoas, especialmente para estes jovens. Nós não podemos viver assim. Não fomos feitos para viver fechados e confinados. Vamos ficar loucos, especialmente a geração mais jovem. Ter 20 anos e não poderem fazer nada. Espero sinceramente que as coisas reabram muito brevemente”.

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