Calamity Jane invade os ecrãs portugueses

(Fotos: Divulgação)

Depois de conquistar as salas francesas, o Cristal de Melhor Filme em Annecy e o público da Monstra-Festival de Animação de Lisboa, o filme de tónica feminista “Calamity, Une Enfance de Martha Jane Cannary” (Calamity, em Portugal) mexe com uma figura histórica real, retratada no sucesso de outrora “Diabruras de Jane” (1953). À frente dele, Doris Day (1922-2019) esmagou corações, encheu cinemas e lutou contra mil práticas machistas encarnando a vaqueira Calamity Jane, que renasce agora no colorido filme do animador Rémi Chayé.

Já nos anos 1960, a indústria mundial da banda desenhada apaixonou-se por Martha Jane Canary-Burke (1852-1903), uma amazona sem par, cujas habilidades no laço e no gatilho eram incomparáveis. Em 1967, René Goscinny (1926-1977) e Morris (1923-2001) levaram-na para o universo BD do xerife Lucky Luke, num álbum de enorme sucesso de vendas, onde ela chamou a atenção pelas suas cuspidelas, numa desconstrução de um arquétipo do macho do Oeste.

Na década de 1990, Calamity teve uma nova ribalta ao ser vivida por Ellen Barkin em “Wild Bill, Uma Lenda No Oeste” (1995), de Walter Hill, ao lado de Jeff Bridges.

Gostamos imenso dos westerns. Cresci frequentando uma biblioteca pública onde ia ler banda-desenhada e descobri o Oeste através do ‘Tenente Blueberry’, de Moebius, e da obra de Hermann. França sempre investiu muito em BDs de cowboys. Aliás, a Europa toda era fã do género, com séries alemãs de western e o spaghetti western. Mas quando resolvi criar uma história de formação na infância de Calamity, preferi abrir mão daquilo que o western tem de mais machista: a recorrente ideia de vingança”, disse Chayé ao C7nema. “Mesmo o filme com a Doris Day não foi uma referência, apesar do seu estilo queer ser interessante como transgressão, para o padrão dos anos 1950. Caminhei por outra linha do Oeste, usando como referência ‘Mais Forte Que a Vingança’, do Sydney Pollack, e a percepção de que existem westerns que são feministas e que seguem uma linha mais psicológica. A minha ação está no Oeste, mas o meu pensamento, não. Ele está na jornada de uma menina”.

Em França, o filme de Rémi conquistou as plateias jovens. “Fizemos o filme pensando nas crianças, apostando na ficção para explorar um período da história de Calamity que não se conhece: a sua infância e adolescência”, disse o realizador.

No filme, ele mostra a pequena Calamity, então chamada de Martha, como sendo alguém corajoso que aprende a domar o machismo dos seus contemporâneos ao se destacar em tarefas antes vetadas às mulheres. A banda sonora de Florencia Di Concilio é um achado. “Falamos de uma menina contra o mundo. A nossa história é a de uma miúda pobre, solitária, que resiste às adversidades de um mundo sexista (…) É a releitura de um ícone da História, de um ícone de um género”.

Calamity, Une Enfance de Martha Jane Cannary” estreia nos cinemas comerciais a 18 de janeiro.


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