No meio da crise da produção cultural argentina, decorrente do governo de Javier Milei, as plataformas de streaming, como a Netflix, tornaram-se o principal meio de escoamento para as produções gestadas em Buenos Aires e arredores, como Lo Dejamos Acá, a nova empreitada cinematográfica de Ricardo Darín.
Nem a maior estrela audiovisual daquela pátria parece conseguir encontrar meios para que os filmes pensados para salas de projeção subsistam sem o apoio público. Apesar disso, o êxito do ator de 69 anos atravessa fronteiras e inspira uma retrospetiva da sua carreira no Brasil, em dois complexos da rede exibidora Grupo Estação, no Rio de Janeiro: o Net Rio e o Net Gávea.
De 1 a 8 de abril, ambos os espaços de projeção apresentam uma celebração do estilo de atuação de Darín. A mostra apresentará as primeiras longas de prestígio do ator, como El Mismo Amor, La Misma Lluvia (1999), que determinou a força da sua parceria com o realizador Juan José Campanella. No arranque do evento será projetada, em grande ecrã, a produção da Prime Video vencedora do Globo de Ouro, Argentina, 1985 (2022), também distinguida com o Prémio FIPRESCI no Festival de Veneza de 2022, com sessão na próxima quarta-feira, no Estação NET Gávea 5.
Entre os títulos revisitados na programação estão Kamchatka (2002), de Marcelo Piñeyro; El Aura (2005), de Fabián Bielinsky; XXY (2007), de Lucía Puenzo; e o sucesso de bilheteira Truman (2015), de Cesc Gay.
No aguardado Lo Dejamos Acá, sob realização de Hernán Goldfrid, Darín contracena com Diego Peretti. Na trama, um psicanalista de prestígio que perdeu a fé na terapia começa a manipular os seus pacientes em segredo, alcançando resultados surpreendentes. Mas tudo desmorona quando um escritor bloqueado entra no seu consultório.

