“Velhos Bandidos” junta titãs e a nova guarda

(Fotos: Divulgação)

Ao dizer “Há uma hora em que não temos mais futuro, só o presente”, Fernanda Montenegro não quer soar catastrofista, quer apenas sublinhar, à marca dos seus 96 anos, que trabalhar a mantém viva… e ativa… no que promete ser um dos grandes sucessos do cinema brasileiro em 2026: o thriller com humor Velhos Bandidos, com estreia marcada para 26 de março.

“Não é só drama, tragédia… eu adoro a comédia. E fazer comédia é um presente. E aqui temos uma comunhão muito feliz. Espero que o espectador venha connosco”, disse a atriz, que regressa ao circuito comercial numa produção realizada pelo filho, o cineasta Cláudio Torres, com quem já trabalhou em Redentor (2004) e, mais recentemente, na série Emergência 53, distinguida com o Studio Babelsberg Production Excellence Award, na Berlinale. “Na minha experiência de palco, a comédia cria uma comunhão fulminante, cheia de afeto entre o espectador e o filme”, acrescentou Fernanda, numa conferência de imprensa realizada no Rio. “Trabalha-se aqui para chegar ao riso.”

Conhecido por explorar diferentes géneros — incluindo uma série de zombies para a Netflix, Reality Z —, Cláudio Torres já ultrapassou o milhão de espectadores com O Homem do Futuro (2011), protagonizado por Wagner Moura, e com A Mulher Invisível (2009), com Selton Mello e Luana Piovani. Estes números aumentam a expectativa em torno de Velhos Bandidos, que, à semelhança da saga The Expendables (2010) (Os Mercenários), aposta num elenco veterano de peso.

Entre os nomes mais experientes destacam-se Ary Fontoura, que contracena com Fernanda Montenegro, Reginaldo Faria, Vera Fischer, Teca Pereira, Hamilton Vaz Pereira, Tony Tornado e Nathalia Timberg. Na geração mais jovem surgem Bruna Marquezine, Laila Garin, Vladimir Brichta e Lázaro Ramos.

“Um elenco destes não cabe num ecrã de telemóvel, tal como Lawrence of Arabia (1962) não cabe. Vivemos uma crise de público nas salas, mas o cinema nasceu como entretenimento. Fiz este filme para dar um intervalo aos tempos difíceis”, afirma Cláudio Torres, irmão de Fernanda Torres, distinguida com o Globo de Ouro por Ainda Estou Aqui.

O casal de larápios Sid e Nancy (Bruna Marquezine e Vladmir Brichta) – Fotos de divulgação de Laura Campanella

Em Velhos Bandidos, Fernanda Montenegro interpreta Marta, cérebro por trás de um golpe que planeia com o marido, Rodolfo (Ary Fontoura). O casal decide assaltar um banco não só pelo lucro, mas como resposta a uma sociedade marcada pelo etarismo. Para o conseguir, recorrem à ajuda de dois golpistas mais jovens, Nancy (Bruna Marquezine) e Sid (Vladimir Brichta), formando um quarteto que monta um plano digno de Ocean’s Eleven (2001). No seu encalço está Oswaldo (Lázaro Ramos), um investigador determinado.

“É muito emocionante trabalhar com pessoas que sempre nos inspiraram”, afirma Lázaro Ramos, que já tinha antecipado o potencial do filme. “O mais importante é ver o cinema brasileiro ganhar visibilidade com histórias que preservam a nossa identidade.”

Leitor assumido de banda desenhada, Cláudio Torres imprime ao filme um estilo visual vibrante, próximo de universos como Diabolik ou os super-heróis da Marvel. Ainda assim, no centro da narrativa está uma dupla história de amor — entre Marta e Rodolfo, e entre Sid e Nancy.

“No meio da ação e das surpresas, as personagens reencontram-se e transformam-se, e isso é o mais bonito”, conclui Vladimir Brichta.

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