‘Catfish’ é um dos filmes mais originais de 2010 e merece ser visto de cabeça vazia, por tal, a minha primeira e única recomendação é que parem de ler esta crítica e vejam o filme sem nenhuma defesa ou ideia predefinida, pois levarão um par de socos inesperados deste documentário de Henry Joost e Ariel Schulman.
Introduzindo a premissa, ‘Catfish’ é um documentário montado por dois amigos de Nev Schulman, um fotógrafo de Nova Iorque que cria, através do Facebook, uma relação especial com uma família do Michigan. Ele compra e vende os quadros feitos por Abby, uma talentosa criança de oito anos, que os desenha com base nas fotos de Nev. Ele cria também uma grande amizade com Ângela, mãe de Abby, e acaba por apaixonar-se por Megan, a sua irmã mais velha.
Nós vamos seguindo esta relações sempre com o olhar critico e jocoso dos documentaristas Henry e Ariel que pensam que Nev é ingénuo em manter tantos relacionamentos online com pessoas que não conhece pessoalmente. Com o passar todos meses, Nev vai se apaixonando cada vez mais por Megan através de telefonemas, trocas de fotografias e até das músicas que esta lhe envia.
Mas Nev começa a suspeitar de algumas incoerências no discurso de Megan e da sua família, o que o leva a ir vista-los de surpresa para descobrir a verdade…
‘Catfish’ foi a sensação do Sundance de 2010 e outra coisa não seria de esperar: raro é o filme que joga tanto com as nossas expectativas e consegue nos levar a por em causa do registo do material que estamos a assistir. Mais do que um filme ágil na criação de truques, ele é exímio na hora de virar as nossas ideias umas contra as outras.
Tanto que muitos acusam ‘Catfish’ e não ser um verdadeiro documentário mas sim um “mockumentary”: pois os seus elementos funcionam tão bem a favor da experiência cinematográfica. Mas a magia e o choque de ‘Catfish’ é, na realidade, a simplicidade da vida que é revelada nas suas revelações. E Nev, o protagonista, que é um excelente companheiro de viagem. Mais não digo.




