Ainda não foi desta que Sean Penn fez as pazes com o Festival de Cannes, isto depois de ter apresentado em 2017 “The Last Face“, filme completamente arrasado pela crítica aquando da sua passagem pelo festival.

Agora, entregando-se a vários lugares-comuns na história de legados e heranças paternais, pedaços de texto bastante simplórios e pouco trabalhados, o realizador de objetos curiosos como “The Crossing Guard” (1995) e “The Pledge” (2001) trouxe à Croisette “Flag Day“, filme no qual seguimos a relação de um pai e uma filha (Sean e Dylan Penn) ao longo de vários anos, havendo neles tanta cumplicidade como choques pela forma como o progenitor parece ceder sempre à tentação da mentira que esconde crimes.

Mas se a vida da personagem de Sean Penn no filme não é brilhante, sempre corrida num emaranhado de faz-de-conta, a da filha não é melhor, perdendo-se entre drogas, situações de sem abrigo e necessidades de reiniciar o seu percurso sucessivamente como quem muda a cor do cabelo.

O que falha aqui e que se tem revelado uma tendência para o cineasta nos últimos anos – além dos clichés estéticos indie e a tendência para o videoclipe dentro do seu próprio filme (contei pelo menos quatro momentos) – é a incapacidade de Penn em pisar o terreno do melodrama sem cair em maniqueísmos e manipulações de apelo emocional exagerado, sobrevivendo apenas as interpretações, que aqui têm o acrescento de terem os dois rostos de pai e filha na vida real.

(crítica originalmente escrita durante o Festival de Cannes)

Pontuação Geral
Jorge Pereira Rosa
flag-dayUma história de lugares-comuns que cai em manipulações de apelo emocional exagerado.