O projeto «J. Edgar» explicado pelos seus intervenientes

(Fotos: Divulgação)

Estreou na passada quinta-feira nos nossos cinemas «J. Edgar», o mais recente filme de Clint Eastwood (ver especial sobre este ator e cineasta). Protagonizado por Leonardo DiCaprio, o filme acompanha J. Edgar Hoover, o homem que criou o FBI, uma das forças da lei mais poderosas e organizadas do planeta.

 
 
Sendo chefe da instituição durante quase 50 anos, esta importante personalidade acompanhou 8 presidentes e assistiu a 3 guerras, travando ele muitos conflitos internos e quebrando regras para proteger os seus compatriotas, usando para isso – muitas vezes – métodos considerados cruéis por uns e heroicos por outros. Mas uma coisa é certa. Esta foi uma das personagens mais marcantes do século XX e todos os envolvidos neste projeto tinham noção disso.

 

A Génese do projeto

 
O grande mentor deste filme foi Brian Grazer, poderoso produtor norte-americano que afirmou que o que o fascinou na personalidade deste homem foi o facto de ele ter começado muito novo e de ter criado uma verdadeira máquina que se tornou «o rosto contra os criminosos e gangsters de diversas épocas». Para Clint Eastwood, o projeto começou em Grazer que lhe passou o argumento. «Eu lio-o e fiquei logo fascinado e disse. Eu gosto disto, vamos fazê-lo». O mesmo fascínio percorreu a mente do argumentista Dustin Lance Black que explicou-nos o que o atraiu até esta história e como começou a trabalhar nela. «Comecei com a ideia básica que ninguém se vê como o vilão. Eu quis saber de onde vieram as suas opções, porque tomou essas decisões, e o que encontrei foi um brilhante e promissor jovem que queria ajudar a mãe e a sua família e realmente acreditava que estava a proteger o país de comunistas bolcheviques – que muitas vezes nos esquecemos que colocaram bombas e mataram pessoas. Ele começou com a melhor das intenções (…) Nós vamos estar dentro da mente de alguém que fez coisas indescritíveis e horrendas e tentamos entender porque ele achava que essas situações eram necessárias e heroicas. No fundo, queremos entender pessoas que vão de bestiais a bestas e ver como isso aconteceu para podermos prevenir no futuro situações semelhantes».

 
Chefe do FBI aos 22 anos

 
Uma das coisas mais atraentes no conceito da obra era perceber o grau de responsabilidade que o jovem Hoover, com apenas 22 anos, detinha para criar uma força da lei federal. O próprio Eastwood demonstra esse fascínio ao afirmar que Hoover era muito novo. «Eu quando tinha 22 não sabia nada, quanto mais criar algo assim.». Ainda assim, o cineasta esclarece que naquele tempo as pessoas cresciam mais depressa. «Ele fez muitas coisas, desenvolveu a sua educação e criou uma força da lei que tinha de ter educação universitária e ao mesmo tempo estar em forma fisicamente. Era muito esperto».
 
 
 

Hoover e os seus agentes

 
Para DiCaprio, Hoover tratava os seus subordinados com pulso firme, mas no fundo entendia que aquela rigidez nos seus métodos era a disciplina em prol dos resultados. «Ele era obsessivo compulsivo em relação aos seus agentes e como estes eram em todos os aspetos. Eles tinham de ter um certo corte de cabelo, uma certa estatura, uma determinada forma musculada. Eles tinham de usar fatos, de ter uma educação universitária e tinham de saber falar as coisas de forma direta e frontal. É como com os jovens políticos. Ele mudou completamente a face das forças da leia americanas. Ele criou um exército destes homens que ainda hoje são um mistério para nós. Não sabemos como operam, o que fazem por trás das quatro paredes, mas sabemos que estão sempre presentes. Ele sabe que estão sempre lá a fazerem o seu trabalho e a investigar as pessoas. Ele criou uma força federal policial que até hoje é a mais organizada e eficiente.»

Hoover e a mãe

 
Se há coisa que todos concordam era a força e a influência que a mãe de Hoover (interpretado por Judy Dench no filme) exercia nas suas decisões. Para DiCaprio, «ela foi uma força marcante na vida de J Edgar Hoover. Ela influenciou em muito as suas decisões políticas. Influenciou a sua ambição. Era a sua base, a sua rocha moral à qual recorria em tempos de desespero e confusão. Ele procurava sempre conselhos da mãe. Ela moveu-o politicamente. Ela desejava que o seu filho carregasse em Washington o nome Hoover como força de poder e proeminência.»

 
O trio chave na preparação deste «J. Edgar»: Dustin Lance Black & Clint Eastwood & Leonardo DiCaprio

 
Para Leonardo DiCaprio, esta é uma das personagens mais importantes da América que ele podia assumir. «Nós precisávamos de muita pesquisa, que o Lance e o Clint fizeram, e depois precisavam da minha interpretação do materiial que reuniram e o tom com que íamos refletir a vida deste homem (…) Este filme vai por tantas eras da história americana e foca tantos eventos importantes que a grande questão era como humanizávamos isso. Claro que o Clint realmente colaborou connosco, perguntou-nos sempre o que achávamos e fez questão que tudo isto fosse uma colaboração conjunta. Este é o meu primeiro filme com o Clint e esta é a minha única experiência com ele. Foi uma relação de confiança entre artistas pois todos tínhamos o mesmo objetivo e interesse. Fazer o melhor filme possível. Ele deu-me tudo o que eu precisava e ainda mais.»
 
 
 
Já para Lance Black, argumentista de «Milk», Leonardo di Caprio era mesmo o ator mais capaz para o papel. «Tinha de ser alguém que conhecesse as regras das relações publicas, das questões da fama, do sucesso e do poder numa idade tão jovem. Essa pessoa seria o Leonardo DiCaprio. Por isso, e para mim, ele trouxe mais para o projeto que apenas as suas enormes capacidades de interpretação.»
 
«J. Edgar» pode ser visto atualmente nas salas nacionais.
 
Jorge Pereira
Imagens: © 2012 Warner Bros. Entertainment. All rights reserved. 

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