Uma das maiores descobertas do último Festival de Cannes foi “Hit The Road”, filme estreia de Panah Panahi, filho do aclamado Jafar Panahi.
Assistente de realização nos último anos do seu próprio pai, que continua interdito de filmar no Irão após uma decisão judicial, Panah estreou-se com um road movie pelas estradas iranianas a caminho da fronteira com a Turquia para mostrar uma família prestes a desfazer-se devido à imigração do filho mais velho. O primeiro trailer do filme, com distribuição assegurada em Portugal foi lançado.
“Não sou uma pessoa de géneros, não conheço propriamente os seus códigos, mas era muito importante para mim do ponto de vista cinematográfico que as regras e códigos que respeito façam sentido para mim e para o meu filme“, disse-nos Panah Panahi em Cannes sobre a escolha de algo tão emblemático no cinema como os road movies para iniciar o seu percurso nas longas-metragens. Um género onde tradicionalmente se retratam viagens no interior de um território e se exploram tensões e questões de identidade pessoais e coletivas em relação a um estado ou período histórico.
Inventivo, divertido, visualmente equilibrado e narrativamente energético, “Hit The Road” tem no filho mais novo do casal o pólo dinamizador de toda a ação, que se move entre as peripécias encontradas na viagem e os mais variados diálogos. Com isto, Panah consegue executar um dos filmes mais humanos do ano, onde é através de elementos particulares – como uma mulher de cabelos à solta, ou a escolha de músicas criadas antes da revolução islâmica – que surgem algumas críticas ao regime iraniano atual: “As músicas do meu filme são extremamente populares no Irão e são todas de antes da revolução islâmica. Essa música traz uma nostalgia daqueles tempos. Desde então a nossa cultura tem sido muito controlada por parte das autoridades, as quais impuseram o seu próprio gosto, as suas próprias referências no cinema, na música, em toda a expressão artística. Por isso mesmo não há nenhuma música no filme que tenha sido feita depois da revolução. Queria com aquela nostalgia mostrar uma família num último momento juntos, onde cada um deles vai criar um momento de nostalgia”.






