Representada de forma afetuosa ou hostil, a imagem indelével da monarca na Arte, Música e ficção consolidou – ao longo dos anos do seu reinado – o seu status como uma das pessoas mais reconhecidas e influentes do mundo.

NA MÚSICA

Com os olhos e a boca tapados por palavras, a capa do single dos Sex Pistols de 1977 “God Save The Queen” é uma das imagens mais icônicas do movimento punk.

O mesmo artista que produziu a capa dos Sex Pistols, Jamie Reid, também desenvolveu outra versão, desta vez representando a rainha com um alfinete na boca e suásticas nos olhos.

Das muitas músicas sobre a Rainha, a gentil “Her Majesty” dos Beatles em 1969 contrasta com “Elizabeth My Dear” no álbum de estreia de 1989 dos The Stone Roses, onde declararam que não descansariam até que perdesse o lugar no trono.

The Queen Is Dead“, a faixa-título do álbum de sucesso de 1986 dos The Smiths, apresentava o vocalista Morrissey a protestar contra o fascínio dos meios de comunicação social pela família real: “A própria ideia da monarquia e da Rainha da Inglaterra está a ser reforçada e feita para parecer mais útil do que realmente é“, disse Morrissey à revista NME.

Em 2005, os Basement Jaxx imaginaram a rainha numa noite em Londres para o vídeo de “You Don’t Know Me”, mostrando-a a visitar um bar de strip e a entrar numa discussão.

NA ARTE

“Intimate Portraits of Queen Elizabeth II and the Royal Family”, Annie Leibovitz. Vanity Fair, 2016

Ao longo do seu prolongado reinado, a Rainha posou para vários artistas, incluindo Cecil Beaton, Lucian Freud e Annie Leibovitz, nomes estes que a mostraram várias perspetivas: como mulher, como chefe de família e como monarca.

Mas poucas representações e fotografias capturaram a imaginação do público como as serigrafias tecnicolor de Andy Warhol, inseridas numa série de 1985 sobre rainhas reinantes.

Warhol usou uma fotografia oficial de Isabel, que personalizou e subdividiu numa variedade de cores e estilos, a mesma perspetiva estética que usou para retratar outras estrelas como Marilyn Monroe.

“Her Majesty Queen Elizabeth II” por Andy Warhol na exposição “The Queen: Art & Image” @ National Portrait Gallery. Maio, 2012. Oli Scarff

NA FICÇÃO

A Rainha raramente dava entrevistas e nunca contava detalhes sobre a vida mais íntima. Elemento este que talvez tenha – desde sempre – gerado muitas noticias, curiosidades e retratos ficcionados acerca da vida que supostamente levava atrás dos portões do palácio.

Prontamente identificada pelo seu sotaque britânico e pelo guarda-roupa de cores ousadas, a rainha foi muito representada na televisão, no cinema e até na animação.

Foi mote para filmes, peças de teatro e séries. Foi retratada como uma criança no filme vencedor do Óscar “O Discurso do Rei”, sobre a luta do seu pai, o Rei Jorge VI, para superar sua gaguez, e como uma monarca, enfrentando a ira do público após a morte de Diana nora, em 2006 no filme “A Rainha”.

Também “apareceu” nos filmes, “Austin Powers in Goldmember“, “Minions” e “The Naked Gun“, entre muitos outros – em alguns deles interpretados por Jeannette Charles, a sua sósia mais famosa.

Apareceu várias vezes na série de culto norte-americana “Os Simpsons“. A monarca apareceu na série britânica [de marionetes], “Spitting Image” e no sucesso infantil “Peppa Pig“, onde saltou por entre poças de lama.

Teve uma relação muito próxima com o seu melhor e maior espião, James Bond. “Boa noite, senhor Bond”, disse a Daniel Craig antes de entrar num helicóptero, voar por Londres e saltar de paraquedas para o estádio que acolher a cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos.

Uma das mais influentes abordagens à vida de Isabel, foi feita na série Netflix “The Crown”, que aborda várias fazes da vida da monarca e aborda detalhes preciosos sobre a história da Rainha e do seu marido Filipe, a sua vida antes do trono e após, disputas familiares, escândalos e crises políticas.

Numa das suas últimas aparições públicas encontrou-se com a icónica personagem infantil, Paddington Bear, nas comemorações do seu Jubileu de Platina em junho. A dupla partilhou o seu amor por marmelada e com as colheres e chávenas de chá, tocaram a melodia dos QueenWe Will Rock You” e assim deram mote para o arranque das atuações musicais do histórico evento.

O dia de ontem, 8 de Setembro de 2022, ficará marcado na História como a data da morte da Rainha Isabel II. Após 70 anos de reinado, a monarca britânica permanecerá na memória de gerações como a governante que passou por vários períodos de guerras, que conheceu vários presidentes norte-americanos, que adorava cães da raça Corgi, que tinha um humor peculiar, entre muitas outras particularidades.

Os exemplos dados, são apenas alguns dos muitos que aconteceram ao longo de 96 anos de vida. De uma vida pessoal e politica que se interligou desde sempre com a História da Europa, com a História Institucional e Politica, Económica e Social e obviamente com a Cultura e as Mentalidades da época contemporânea. Isabel II não era apenas um ser humano ou uma monarca, era e será sempre uma Instituição.

Ontem, com a morte da Rainha, foram muitos aqueles que usaram as Redes Sociais para se despedirem da monarca. No entanto, merece destaque o adeus da personagem fictícia da literatura infantil, que de forma muito simples e sentida, disse tudo: