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«Asako I & II» por Hugo Gomes

  • Publicado em Critica

Um drama de quatro mulheres filmado sob a ótica do tempo (literalmente e representativamente), propício a questões de foro existencial que abalam todo um ensaio de quotidiano encenado. Filme esse, que referimos, condecorado em Locarno (sobretudo graças ao desempenho das suas atrizes - Sachie Tanaka, Hazuki Kikuchi, Maiko Mihara e Rira Kawamura), valeu ao realizador nipónico Ryûsuke Hamaguchi um holofote apontado  de promessa japonesa, que lhe garantiu entrada na Competição de Cannes na edição de 2018.

A obra premiada anteriormente mencionado intitula-se de Happy Hour (Happî awâ), o qual encaramos como um “épico” dramático sobre as complexidades dos nossos respetivos biótipos, e pela simplicidade das escolhas, data de 2015. Nessa altura, sobressaia um realizador detentor de uma certa delicadeza e maturidade, porém, essas características que vincaram no seu trabalho são enfeites neste Asako I & II, uma trama amorosa de doppelgangers que evidencia um certo afeto pelo cinema ocidental, inserindo-o nas idiossincrasias da industria pop japonesa.

A sensibilidade de Hamaguchi é assim substituída pela inconsequência de um adolescente que se aventura pela primeira vez na poesia, confundindo a rima com o tão requisitado lirismo. Não com isto comparando Asako I & II a um ensaio de poesia visual ou a literacia dominante de um determinado cinema europeu, o que realmente acontece é que nesta história novelesca sob contornos “rohmerianos”, na conceção de um romance mórbido e juvenil há toda uma pretensão de emancipação autoral. Mas, ao contrario do que poderia suceder, Hamaguchi é demasiado verde e incoerente no seu registo. O tempo que lidou em Happy Hour (mais uma vez, não é alusão às 5 horas de duração) não é o mesmo que embate em Asako. Há, ao invés disso, todo um senso de tragédia a ser aperfeiçoado … e aí está … com tempo … o que na ausência poderia ser visto, perfifila-se demasiado no teor anedótico e nos maneirismos tão próprios da importada cultura japonesa.

Entre Happy Hour e Asako I & II existe uma clara mudança de realizador. Ele permanece a mesma pessoa, mas não o mesmo artista. Infelizmente. 

Hugo Gomes

«Shoplifters» (Uma Família de Pequenos Ladrões) por Hugo Gomes

  • Publicado em Critica

Eis um filme à Koreeda, segundo quem deseja reduzir filmes aos gestos replicados dos seus criadores. Shoplifters é em certa parte um exemplo exato dessa fórmula, é um filme que prolonga os ensaios cometidos pelo nipónico em descortinar um Japão contra o senso comum vinculado nas importações e ao mesmo tempo uma revolta ao conformismo estabelecido por essa sociedade.

Vamos por partes. Buscando as veias sangradas por Nobody Knows (Ninguém Sabe, 2004), uma perpetuação que veio acompanhar as suas obras desde então, Koreeda lança-se sobre um revisionismo ao conceito de família, às estruturas pré-fabricadas desse seio que vão ao desencontro dos laços sanguíneos que os moldam. O cineasta insurge-se assim contra as tentativas rotulares que lhe foram impostas, materializadas na etiqueta de “o herdeiro de Ozu”. Pois bem, o sangue priorizado na árvore genealógica, o tradicionalismo ritualizado que confundimos com os traços etnográficos e culturais japoneses, são objetos de desaprovação pelo nosso cineasta, que o faz sem um pingo de acidez revolucionária.

A subtileza quase melosa é a arma furtiva para que as personagens se submetam aos ditos experimentos … e o espectador também. Depois seguimos na pista de outros “lugares-comuns” do cinema de Koreeda, entre as quais a inclusão social que já se encontrava presente no seu primordial Maboroshi (1995) ou as constantes críticas ao sistema judicial e prisional nipónico visto e revisto em Air Doll (Boneca Insuflável, 2009) e The Third Murder (O Terceiro Assassinato, 2017). Elementos para racionalizar e sobretudo sentir com a sensibilidade de alguém que sobressaiu do formato reportagem e documental, evidenciando com isso o detalhe da tendência observacional de Koreeda pelo seu redor e do invisível.

E falando em “invisibilidades” (se é que existe no meio cinematográfico), assim como grande parte da obra do cineasta, esta história de uma família “faz-de-conta” em subsistência através do subsidio social encontra a LÁGRIMA como palavra-chave. Aquele vestígio de sentimento que guardamos com a maior das reservas até ser libertada após as desamarras dos nossos passivos demónios. Uma. Basta apenas uma, que dita toda uma costura de subtileza e suscetibilidade para com o dito Japão canónico. E é essa lágrima, tida como dentro [nas personagens] e igualmente fora [no espectador], que nos encarrega de guardá-la com a maior das confidências.

A lágrima assim como as epifanias verbais são discretamente impostas numa narrativa que, ao contrário das suas personagens, não evade, mas sim, invade (nunca me canso de repetir em conformidade com Jacques Rancière: “o cinema é arte do sensível”). Poderá não ser a obra extrema de Hirokazu Koreeda (mesmo valendo-lhe a Palma de Ouro), mas esta é a sua mais amada tese. 

Hugo Gomes

Nova imagem de "Batwoman"

Ruby Rose, conhecida pelos seus papéis na série Orange is the new Black e de xXx: Return of Xander Cage, será a Batwoman no especial crossover anual para a CW, que detém todas as séries televisivas da DC Comics (Arrow, Legends of Tomorrow, The Flash e Supergirl). Fala-se que depois desta aparição (com estreia prevista para dezembro), a personagem de Rose poderá protagonizar a sua própria série, mas ainda não é certo. Confirmado é que caso isso aconteça, Batwoman fará história como a primeira série de TV focada num super-herói LGBT. A série está atualmente em desenvolvimento, com Kane/Batwoman descrita como "uma lutadora de rua lésbica e altamente treinada".

Vale a pena salientar que Batwoman, o alter-ego de Kate Kane, é uma vigilante nos moldes de Batman, com o “cavaleiro das trevas” como a sua principal inspiração. 

Morreu Stan Lee, o "mago" da Marvel Comics

Stan Lee, um dos principais criadores de inúmeras e conhecidas personagens da Marvel Comics e também uma das faces reconhecidas do Universo cinematográfico, faleceu nesta segunda-feira (12/11/18). Tinha 95 anos.

O TMZ foi o primeiro órgão a noticiar a morte, que segundo a fonte, Stan Lee teve que dar entrada no hospital Cedars-Sinai Medical Center, na manhã de segunda, onde acabou por falecer. De momento não foi revelada a causa da morte. JC, a filha, comentou à publicação: “O meu pai amou todos os seus fãs. Ele foi grande, um homem decente!”

A Marvel começou em 1961 com o Quarteto Fantástico, uma equipa de super-heróis criada por Lee e pelo seu colega Jack Kirby, idealizada para atrair um público mais velho numa era em que as bandas-desenhadas eram lidas principalmente por crianças. Homem-Aranha, Homem-Formiga, Black Panther, Hulk, Doutor Estranho, Thor, Homem de de Ferro, Demolidor e os X-Men são algumas das personagens que cajudou a criar.

A primeira entrada no cinema deu-se em 1973 como narrador de L'an 01, projeto partilhado por Alain Resnais, Jacques Doillon e Jean Rouch. Depois da colaboração, foi falado uma nova com Resnais, porém, segundo consta, tal foi abortado após tentativas de intervenção de estúdio. Emprestou novamente a sua voz na narração para a série The Incredble Hulk nos anos 80, e em Spider-Man and His Amazing Friends.

A partir daí tornou-se uma cara presente em tudo o que era adaptação das suas criações da Marvel e até mesmo em outros “universos”, como os The Muppets (Marretas) e Mallrats (Malucos do Centro), tributo de Kevin Smith às BDs. O seu último cameo foi em Venom, porém, encontra-se creditado em Madness in the Method, uma comédia da autoria de Jason Mewes (o famoso Jay de Jay & Silent Bob) ainda por estrear. 

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