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«The Tale» faz mossa em Sundance com história real de abuso sexual

Um dos filmes que tem marcado esta edição do Festival de Sundance é The Tale, obra protagonizada por Laura Dern que foi recebida no certame com uma longa ovação na sua apresentação ao público no passado sábado.

Realizado pela jornalista e documentarista Jennifer Fox, e baseado na sua própria experiência quando tinha 13 anos, no filme seguimos uma mulher (Dern) que tem de reavaliar a sua vida depois de perceber que a relação consensual que teve aos 13 anos com um homem de 40 anos, afinal inseria-se num caso de abuso sexual. Expondo "um estilo narrativo único que brinca com o próprio conceito de memória", em The Tale  - que também é o título de um texto escrito pela própria Fox à época - acompanhamos como a cineasta foi abusada pelo seu treinador (Jason Ritter, no filme). 

"Eu queria contar esta história, pois aconteceu quando tinha 13 anos", disse Fox ao público, frisando mais tarde que o seu objetivo não era apontar o dedo a ninguém: "O meu objetivo era entender o contexto do que aconteceu e ajudar outras pessoas", mostrando ainda resistência ao cenário de que o filme foi uma espécie de terapia que fez. "É sempre um processo difícil trabalhar com qualquer material e encontrar a profundidade da história. Sendo assim, todos os filmes são terapêuticos. Não quero dizer que é especial porque são memórias."

A acompanhar Laura Dern e Isabelle Nélisse  no elenco (no papel de Fox em diferentes periodos da vida), encontramos a sua mãe (Ellen Burstyn) e o seu namorado (Common), os quais vão ajuda-la a aceitar a verdade.

 

A origem do projeto



Madison David, Sarah Jessica Flaum,Jennifer Fox, Isabelle Nélisse e Isabella Amara na estreia mundial de The Tale no Festival de Cinema de Sundance de 2018.
© 2018 Sundance Institute | Foto de Ryan Kobane.

Se a inspiração foi a história pessoal da cineasta, a origem e conceção da ideia de transformar tudo num filme surgiu em 2006 quando Fox já tinha 40 anos e começou a trabalhar na sua série documental, Flying: Confessions of a Free Woman. "Estava a conversar com mulheres de todo o mundo e comecei a ouvir aminha história (...) Não importava a classe, a cor, a nacionalidade, de forma anedótica; Era como se uma em cada duas tivesse uma história [como essa] (...) Este evento que sempre defini como um relacionamento, de repente, não era pessoal, não era individual, mas realmente universal. Foi então que pensei que era hora de fazer este filme. Hora de contar esta história".

 

A anatomia de uma cena complicada de filmar


Jennifer Fox, Ellen Burstyn, Isabelle Nélisse, Common e Jason Ritter na estreia mundial de The Tale no Festival de Cinema de Sundance de 2018. 
© 2018 Sundance Institute | Foto de Stephen Speckman.

Diz a Indiewire que o projeto também inclui algumas das cenas mais controversas do festival e que, para melhor contar a história, The Tale não esconde no grande ecrã os detalhes mais íntimos dos abusos sofridos por Fox na vida real, incluindo o comportamento da personagem de Ritter à medida que ele ilude a jovem Jenny (Isabelle Nélisse) até abusar sexualmente dela. 

Durante uma sessão de perguntas e respostas com o público no dia da estreia, Fox foi questionada de como certas cenas - de conteúdo sexual, profundamente desconfortáveis  - foram filmadas, especialmente as que envolvem Nélisse, que tinha 13 anos no momento das filmagens. A realizadora explicou que durante as rodagens estiveram sempre presentes vários individuos para ajudar a jovem, incluindo um representante da SAG (Guilda dos Atores), um psiquiatra e a própria mãe da atriz.

A realizadora também deixou claro que não houve contato físico entre Nélisse e Ritter, com cada um a filmar as cenas à parte em dias separados. Assim, Nélisse filmou tudo apenas numa cama vertical, com a câmera virada diretamente para o seu rosto. Fox usou deu à jovem uma série de dicas para conseguir extrair dela diferentes emoções, como "agir como se uma abelha te picasse" ou "como se estivesse a ser perseguida por um cão".

Já as cenas de Ritter foram feitas com o recurso ao corpo de um duplo: "Ninguém queria criar mais traumas no set, e ter um duplo ajudou-me a entrar melhor na cena", disse Ritter, acrescentando que as filmagens "foram muito complicadas em termos psicológicos."



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