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Morreu Stan Lee, o "mago" da Marvel Comics

Stan Lee, um dos principais criadores de inúmeras e conhecidas personagens da Marvel Comics e também uma das faces reconhecidas do Universo cinematográfico, faleceu nesta segunda-feira (12/11/18). Tinha 95 anos.

O TMZ foi o primeiro órgão a noticiar a morte, que segundo a fonte, Stan Lee teve que dar entrada no hospital Cedars-Sinai Medical Center, na manhã de segunda, onde acabou por falecer. De momento não foi revelada a causa da morte. JC, a filha, comentou à publicação: “O meu pai amou todos os seus fãs. Ele foi grande, um homem decente!”

A Marvel começou em 1961 com o Quarteto Fantástico, uma equipa de super-heróis criada por Lee e pelo seu colega Jack Kirby, idealizada para atrair um público mais velho numa era em que as bandas-desenhadas eram lidas principalmente por crianças. Homem-Aranha, Homem-Formiga, Black Panther, Hulk, Doutor Estranho, Thor, Homem de de Ferro, Demolidor e os X-Men são algumas das personagens que cajudou a criar.

A primeira entrada no cinema deu-se em 1973 como narrador de L'an 01, projeto partilhado por Alain Resnais, Jacques Doillon e Jean Rouch. Depois da colaboração, foi falado uma nova com Resnais, porém, segundo consta, tal foi abortado após tentativas de intervenção de estúdio. Emprestou novamente a sua voz na narração para a série The Incredble Hulk nos anos 80, e em Spider-Man and His Amazing Friends.

A partir daí tornou-se uma cara presente em tudo o que era adaptação das suas criações da Marvel e até mesmo em outros “universos”, como os The Muppets (Marretas) e Mallrats (Malucos do Centro), tributo de Kevin Smith às BDs. O seu último cameo foi em Venom, porém, encontra-se creditado em Madness in the Method, uma comédia da autoria de Jason Mewes (o famoso Jay de Jay & Silent Bob) ainda por estrear. 

«Em Lugar Algum» vence 4ª edição de YMOTION

A curta Em Lugar Algum, de Inês Sá Frias e Leandro Martins, foi declarada como vencedora do grande prémio do YMOTION 2018: Festival de Cinema Jovem de Famalicão. Enquanto isso, 4760, de Nuno Loureiro, conquista o Prémio do Público; The Voyager, de João Gonzalez torna-se na Melhor Animação; Fugiu. Deitou-se. Caí, de Brune Carnide, vence na categoria Melhor Banda Sonora; Terra Amarela, de Dinis Costa conquista os prémios de Melhor Elenco e de Direção de Fotografia ; e por fim, A Choice Of Free, de Filipe Silva, na categoria “Prémio Escolas”.

Organizado pelo Pelouro da Juventude do Município de Vila Nova de Famalicão, o Festival de Cinema Jovem decorreu entre os dias 3 a 10 de novembro, numa edição que homenageou a atriz Lúcia Moniz e com uma programação centrada no Novo Cinema Português, que contou ainda com a antestreia de Imagens Proibidas, de Hugo Diogo- realizador que de momento a trabalhar na produção Ladrões de Tuta e Meia (cujo festival serviu de placo para a apresentação das primeiras imagens).

«Raiva» por Hugo Gomes

  • Publicado em Critica

Em terra sem pão, o pobre nasce pobre, o rico nasce rico

A evidência de uma luta entre classes em Raiva remete-nos sobretudo para o dispositivo de Manuel da Fonseca e o seu romance Seara de Vento (publicado em 1958) em consciencializar um povo para os seus mais profundos desejos políticos.

Esta nova ficção de Sérgio Tréfaut, a segunda longa-metragem desta linguagem desde A Viagem a Portugal (2011), é um objeto curioso e subtilmente absorvido pela sua reconstituição histórica, quer a nível cénico ou até mesmo atmosférico (com graças à belíssima fotografia do veterano Acácio de Almeida). Nessa demanda pela adaptação, o realizador opta pela raiz da matéria-prima, o neorrealismo tão em voga na década de 50, quer na literatura, quer no teatro e até cinema (os falhanços de Manuel Guimarães, realizador que de maneira nenhuma parece não conseguir reavaliar-se), Como tal, Raiva é puramente simbólico e possivelmente dependente desse mesmo simbolismo, o que o configura como um ensaio de ideias, a “mensagem” que o próprio Tréfaut revelou não interessar como foco propagandístico ou didático.

É um filme de imagens (termo que neste momento o leitor troça o escriba devido ao óbvio da caracterização), porque são estas, despojadas da dramaturgia cinematográfica ou ditada pela mesma, que realçam todo uma veia narrativo, dentro e fora do filme. E salientando essa ausência de ênfase e epifania, Tréfaut mutila a sua criação, inutilizando-o para esse estado. Como o faz? Simples manobra, transfigura as leis académicas dos três atos narrativos, opções narrativas que vão contra ao tão chamado storytelling que uma vaga de realizadores e argumentistas nacionais tentam impor. Por outro, essa escolha decepa por completo qualquer emotividade que poderá surgir por parte do espectador, ao mesmo tempo que configura um fatalismo irreversível.

Em Raiva, há um espelho de uma sociedade que hoje entra em plena negação, um revisionismo histórico dos “feitos salazaristas”, ou da urgência pela preservação distorcida da luta entre classes para induzir-se numa batalha contra as instituições erguidas atualmente. Tréfaut comete essa declaração politica sem o uso do mais grave das leituras politizadas, cada um encontra a sua consciência da forma como pretender.

Mas dentro desse retrato que esboça um Alentejo a passos do esquecimento, Raiva instala-se ainda como uma celebração das mulheres e sobretudo das atrizes portuguesas (passamos pela geração que tão bem traduz todo o nossos legado cinematográfico; Isabel Ruth, Leonor Silveira, Rita Cabaço, Lia Gama e Catarina Wallenstein). O signo feminino presente como juízos, quer finais ou motivos para os trilhos conflituosos do nosso “herói”, Hugo Bentes, o cartaz de Alentejo, Alentejo (o identitário documentário de Tréfaut) para as ribaltas da ficção, incentivando a sombra de um tipo de ator preciso e sobretudo inexistente no nosso leque profissional.

Em Raiva há muito por onde olhar e refletir, uma peça discreta que vence por essa mesmo discrição. Mesmo não tendo a histeria de um ativismo a ser demarcado, este é sobretudo um filme necessário para as nossas consciências. 

Hugo Gomes

«Colette» por Hugo Gomes

  • Publicado em Critica

Dentro do universo das biopics, uma das responsáveis pela proliferação da leitura YA (jovens-adultos) e acima de tudo assumidamente feminista que abanou toda uma sociedade, a vida de Sidonie-Gabrielle Colette não iria escapar às tais garras industriais.

Obviamente, que isto seria só visto como preconceito ou até habito destas épocas festivas do Cinema, mas condensar qualquer personalidade ao esquematismo e à rotina das linguagens percetíveis do filme de época é quase um atentado ou simplesmente manobra para atores mimetizarem sob as promessas de estatuetas. Em Colette, seguindo a ascensão e a consciência de uma das mulheres mais influentes do inicio século XX, deparamos com um filme risonho que transborda preocupação pela sua reconstituição histórica e nas assinalações do percurso artístico e amoroso da homónima personalidade.

Perdoamos ou não a escolha da língua inglesa para um universo tipicamente francês ou da semiótica reconhecível de Keira Knightley (mais nossa culpa do que da atriz), mas nesta nova obra de Wash Westmoreland (um dos realizadores de Still Alice), o que está em conta é a sua narrativa quase telefilmíca, as enfases dramáticas totalmente dependentes de fragmentos episódicos e uma miopia na construção do biótipo de Colette e o seu marido (Dominic West com algum fulgor). É a típica produção que espelha uma tendência, um muito encarcerado filme dentro da régua e esquadro do seu formato, mesmo que por vezes certos rasgos parecem conduzi-lo para outros patamares (a sequência de Moulin Rouge trazia esperança por um lado mais cénico e artificial), tudo culminando ao que se está a espera, trabalho esforçado em prol de um “good job/bom trabalho” (não se consegue apontar nada, nem salientar alguma coisa, nos ramos técnicos e visuais).

A elegância e a classe insuflada presta como artifícios mascarados do mesmo produto de sempre. Malditas sejam as cinebiografias de hoje!


Hugo Gomes

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