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A intransigência dos exibidores afasta público do Cinema, diz chefe da Netflix

 

"[As janelas temporais das estreias] desconectaram as pessoas dos filmes", disse Ted Sarandos, patrão da Netflix, numa conferência de telecomunicações em Nova Iorque.

Falando do modelo da sua plataforma de streaming, Sarandos diz que a intrasigência das cadeias de cinemas e a legislação de alguns países contribuem para o afastamento do público das salas, dando - nas entrelinhas - a entender que quem ganha com é o streaming ilegal.

Vários cinemas e países obrigam a que exista um determinado período de tempo que separa a estreia de um filme nos cinemas e a sua chegada ao Video On Demand e aos serviços de streaming. Por exemplo, a maior cadeia de cinemas do México, a Cinepolis, decidiu não exibir Roma nas suas salas porque queria uma janela de exibição de 90 dias, obrigando a Netflix a estrear no território a obra em fevereiro. O atrito entre a Netflix e o Festival de Cannes é semelhante. Cannes proibiu filmes sem distribuição nos cinemas gauleses de competir à Palma de Ouro, eliminando filmes originais da Netflix como Roma de entrar na Competição. A razão pela qual a Netflix recusa passar filmes nos cinemas franceses é porque a janela de estreias no país  poderá chegar aos 36 meses, ou seja, se Roma fosse exibido no festival e estreasse nos cinemas locais, poderia não ser possível transmitir a fita na plataforma até 2021, o que contraria totalmente o modelo de negócios da empresa.

"Não acho que seja muito favorável aos consumidores que não moram perto de um cinema terem de esperar seis ou oito meses para assistir a um filme.", disse Sarandos, que no próximo ano - caso não resolva o atrito com Cannes - pode ter o mesmo problema em Veneza, já que o ministro da cultura italiano prometeu legislar uma janela de estreias após Na Minha Pele ser exibido na plataforma dias depois da sua passagem pelo Festival de Veneza.

Curiosamente, em Portugal a guerra das janelas temporais teve um episódio caricato no já distante ano de 2004. Na época, após três meses da estreia nas salas, Fahrenheit 9/11 foi colocado à venda juntamente com o Jornal Expresso, levando a vários protestos da então Associação Portuguesa de Videoclubes, que "temia" que os seus associados não sobrevivessem com as novas regras da época que acabavam com a janela temporal de seis meses entre a estreia do filme nas salas e a sua libertação para o mercado de Home Video. 

Atualmente, não existem complicações  (de maior) deste género em Portugal. Um bom exemplo disso são as estreias de alguns filmes nas salas e logo depois o seu lançamento em plataformas online como a Filmin [como os lançamentos da Cinema Bold]. O exemplo de Roma também é um bom caso, com a sua estreia programada para algumas salas de cinema nacionais a estar marcada para o dia 13 de dezembro e a sua chegada à Netflix um dia depois.

 



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