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American Film Institute (AFI) escolhe o seu top 10 para 2018

 

Depois da National Board of Review (NBR), foi a vez da American Film Institute (AFI) revelar a sua lista sem ordem dos seus 10 filmes favoritos de 2018. 

De fora, ficou, por questões de eligibilidade, Roma de Alfonso Cuáron - que recebeu ainda assim um prémio especial, o que prova ser mais um bom sinal de apoio dentro da indústria ao filme. 

Sem questões de eligibilidade para se justificar, filmes como First Man de Damien Chazelle e Widows de Steve McQueen ficam assim "debaixo de fogo", tendo em conta que este ranking costuma servir (juntamente com os prémios atribuídos pelos produtores, os Producers Guild of America) de bom barómetro para os nomeados para o Oscar de Melhor Filme. 

Eis então o top 10 de filmes: 

Blackkklansman
Black Panther (foto acima)
Eighth Grade
If Beale Street Could Talk
The Favourite
First Reformed
Green Book
Mary Poppins Returns
A Quiet Place
A Star Is Born


Top 10 programas de TV: 

The Americans
The Assassination of Gianni Versace: American crime story
Atlanta
Barry
Better Call Saul
The Kominsky Method
The Marvelous Mrs. Maisel
Pose
Succession
This Is Us


AFI Special Award
Roma

«A Private War» (Uma Guerra Pessoal) por André Gonçalves

  • Publicado em Critica

Biopics de artistas temos resmas deles, por vezes vários para aqueles que marcaram efetivamente a sua era. Filmes de guerras idem aspas. Então e os "artistas" que pretendem reportar os horrores da guerra?  

A Private War (Uma Guerra Pessoal) tenta colmatar essa relativa deficiência contando a história verdadeira de um espírito rebelde e ultimamente solitário na sua rebeldia: Marie Colvin. É um filme que respeita as memórias da jornalista logo na sua duplicidade do título... é que Colvin trava também ela uma guerra privada consigo mesma ao mesmo tempo em que se mete em confrontos onde: a) morrer ou ficar com marcas físicas irreparáveis é sempre uma opção - como efetivamente aconteceu, em momentos separados; b) interesses privados/pessoais metem-se sempre pelo meio e à frente de casualidades civis. 

O formato da narrativa é ainda assim demasiado comportado para as escolhas punk da repórter. Este fica-se, em momentos-chave, por uma réplica de reportagem de guerra para mascarar o "bê-áb-á" da biografia cinematográfica, com trunfos ainda assim na veracidade que atinge (a cena da remoção de cadáveres sendo particularmente um ponto tão arrepiante para as personagens como para o espectador), mas rendendo-se ultimamente à preguiçosa (e insegura?) comparação com a realidade nos seus últimos frames, da colagem entre a personagem e a figura real, um dispositivo claramente tão cansativo como preguiçoso.  

Haja ou não proximidade exímia entre a imitação e a figura real, o que muitos biopics falham é ir precisamente para lá deste acessório, da semelhança física, e tentar, paradoxalmente, conferir vida a uma vida real. A Private War é, felizmente, pelo menos nesse aspecto, um convite à verdade que está por detrás da jornalista, para além da verdade jornalística (tema central, de um romantismo que parece vir de outros tempos mais confiantes). É um filme que segue à pala de uma atriz (conforme eu e o meu colega Hugo Gomes apelidámos): Rosemund Pike, tentando assim revelar outra sua faceta para além daquele papel que dificilmente será substituído - o de Amazing Amy por Gone Girl. É nas suas contradições confessáveis num discurso particularmente emocional (um belo "clip para Oscar", caso a distribuidora inexperiente consiga daqui um milagre), e inferidos ao longo do restante tempo, que temos o humanismo desejado,  e não só na mudança de registo de voz ou da performance "só com um olho". Jamie Dornan e Stanley Tucci, em papéis de suporte (na guerra e em casa), são sólidos, o primeiro a desamarrar-se bem da imagem de 50 Shades of Grey, o segundo claramente mais próximo a outros papéis que representou no passado.  

Se devíamos pedir mais do filme em si, que um mero veículo para uma atriz brilhar na sua autenticidade, para que o memorial ficasse mais completo? Sem dúvida. Ainda assim, pela sua verdade que nos tenta mostrar, pelo que acredita em termos jornalísticos e humanistas, e porque se conseguiu ainda assim moderar outros excessos mais facilitistas (do lado do "humanismo liberal"), é um filme minimamente estimável. 


André Gonçalves

Empire escolhe «Avengers: Infinity War» para filme do ano

E com as primeiras nomeações aos prémios da indústria cinematográfica, também as publicações dedicadas à sétima arte aproveitam para iniciar a divulgação dos tops de melhores filmes a estrear no ano. 

Seguimos desta feita com a revista Empire, e com um #1 que promete já desencandear uma certa controvérsia: Avengers: Infinity War, blockbuster da Marvel, foi o filme escolhido pelos editores/críticos aí residentes. 

Esta é, como expectável, uma lista mais comercial e anglosaxónica que outras magazines mais "eruditas" (como Cahiers du Cinema, por exemplo). A completar o top 10, temos outros blockbusters, como o êxito sensação A Quiet Place, Mission: Impossible -  Fallout, Black Panther e A Star is Born.  

Confiram o top completo abaixo (top 20, de acordo com estreias no Reino Unido): 

1. Avengers: Infinity War
2. Mission: Impossible - Fallout
3. A Quiet Place
4. Three Billboards Outside Ebbing, Missouri
5. Black Panther
6. First Man
7. Lady Bird
8. A Star is Born
9. Phantom Thread
10. BlacKkKlansman
11. Mandy
12. Roma
13. Hereditary
14. Isle of Dogs
15. Annihilation
16. Cold War
17. Coco
18. Leave No Trace
19. You Were Never Really Here
20. I, Tonya

«Bel Canto» por André Gonçalves

  • Publicado em Critica

O estilo operático que dá nome a este título do sempre difícil de categorizar Paul Weitz (American Pie, About a Boy) faz logo esperar um drama apaixonante, e também ele operático, mas Bel Canto acaba por se revelar um mero filme político de mensagem explícita, mensagem esta capaz de figurar num pacote de açúcar. A saber: a música, neste caso o canto lírico, é a grande linguagem universal capaz de unir povos de várias origens e ultimamente salvar o mundo do caos que nos encontramos. O caos aqui presente é um conflito político, que obriga forças rebeldes a fazer reféns de um evento, entre os quais a cantora de ópera mundialmente reconhecida Roxanne Coss e seus fãs de diversas nacionalidades. Ouvimos espanhol, japonês, francês, alemão... como se a maldição de Babel estivesse toda aqui focada numa sala.

Assim, entre a tentativa de alheamento da realidade através do visionamento da novela Maria la del Barrio (a ação decorre no final da década de 90), a violência sempre latente e uma vontade de aprender outras línguas, começa a nascer o amor. Não só entre um, mas dois casais. Nada como uma situação de reféns para disparar o romance entre estes, afinal.  

Sendo a música o verdadeiro motor desta narrativa, existe logo uma questão problemática à cabeça: nada contra o playback, quando bem executado. No caso de Julianne Moore, geralmente uma atriz capaz de elevar sempre o material que lhe é proposto, foi-lhe dado um presente envenenado aqui. Não se esperava que fosse cantar como uma cantora de ópera, não senhor, mas o seu jogo de lábios com a voz da Renée Fleming denuncia o truque, removendo-nos assim do filme em alturas tão cruciais (talvez problema da realização e montagem também aqui). 

Bel Canto consegue ser a pior das obras do seu género dito "humanista"- nem subtil nas suas intenções, nem substantivo ou minimamente memorável na sua pseudo-essência cinematográfica (não falta sequer o slow motion entre música de violino a "embelezar" o final), no que usa para chegar ao seu objetivo. Uma espécie de resposta nas mesmas notas de Weitz ao cinema liberal de pacotilha de Sean Penn. 

André Gonçalves

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