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Filme sobre Romy Schneider abre a Kino - Mostra de Cinema de Expressão Alemã

Começa esta quinta-feira, 24 de janeiro, e prolonga-se até ao próximo dia 30, a 16ª edição da Kino, Mostra de Cinema de Expressão Alemã, evento que vai decorrer no cinema São Jorge e no Goethe-Institut, em Lisboa.

Para Corinna Lawrenz, responsável pela programação de cinema do Goethe-Institut, esta mostra que abre o ano cinematográfico em Lisboa distingue-se dos demais eventos por ser representativa de quatro países [Alemanha, Áustria, Luxemburgo e Suíça] que partilham a mesma língua e possuem muitas ligações entre si: "É uma mostra que tem logo à partida uma grande diversidade de cinematografias, de abordagens, mas que mantém ligações entre si, como se nota muito neste programa. Há várias coproduções, colaborações de atores, atrizes e realizadores."


Vicky Krieps em Gutland

Um dos principais objetivos da mostra, mais do que o número dos espectadores, é que as pessoas se interessem mais pelas cinematografias apresentadas. "Pela vivacidade que apresentamos este ano, pelos laços e ligações entre os filmes, esperamos que as pessoas comecem a descobrir esse universo do cinema em expressão alemã", diz Lawrenz, acrescentando que no médio prazo espera que a Mostra chegue a muitas mais cidades do país. Para já, é certa a presença da Kino em Coimbra em fevereiro, e anuncia-se um regresso ao Porto, não na forma de uma extensão do que foi apresentado em Lisboa, mas com filmes e convidados distintos.

Uma das mudanças da Kino em 2019 é o abandono do modelo de programação que dividia as secções entre uma mostra principal e a Kino Doc, destinada aos documentários. Para Lawrenz e para o crítico e curador Carlos Nogueira, esse modelo já não faz sentido, preferindo-se uma organização que implementa uma divisão entre as secções Visões, Perspetivas e um Foco.

 

"As Lebres" da programação: Romy Schneider na abertura, Markus Schleinzer no encerramento


3 Dias em Quiberon

O filme de abertura da Kino é 3 Days in Quiberon (3 Dias em Quiberon), um trabalho "notável", segundo Carlos Nogueira. Realizado por Emily Atef, esta cinebiografia a preto e branco em torno de Romy Schneider, acompanha a sua permanência em 1981 em Quiberon, uma estância balnear na Bretanha (França), para tratamento. A sua intenção é "expulsar" a adição ao álcool, não pela sua carreira, mas pelo filho de 14 anos. O filme imagina os eventos dos três dias em que Schneider vagueia erraticamente entre alegria e o desespero, nos quais dá igualmente uma entrevista ao jornalista Michael Jürgs, acompanhado pelo fotógrafo Robert Lebeck, cujas imagens circularam pelo mundo.

Já o filme de encerramento é o mais recente trabalho de Markus Schleinzer, ator que frequentemente participa no cinema de Michael Haneke (A Pianista, O Tempo do Lobo, Laço Branco) e que em 2011 se estreou na realização com o poderoso Michael. Agora ele traz à Kino, Angelo, uma obra baseada em factos verídicos e que conta a história de um africano nascido no século XVIII que é transportado para a Europa com 10 anos.

 

Entre Visões e Perspetivas, muito Cinema


Mil maneiras de descrever a chuva

A secção Visões procura "estabelecer uma ponte entre o glamour do cinema e a relevância dos seus temas", contando-se obras como Mario, de Marcel Gisler, Aeroporto Central THF, do brasileiro Karim Ainouz, Timm Thaler ou o Riso Vendido, de Andreas Dresen, e Vácuo, de Christine Repond.

Já nas Perspectivas, "onde estão filmes que rompem convenções e fronteiras entre géneros e formatos", realce para a estreia absoluta numa edição da Kino de um filme assinado por um cineasta português: Didio Pestana, que vive em Berlim, apresenta Sobre Tudo Sobre Nada. Destaque ainda para Gutland, filme luxemburguês de Govinda van Maele que conta no elenco com Vicky Krieps (Linha Fantasma); e para O Gene de Casanova, um "híbrido" entre a ficção e o documentário com John Malkovich.

 

Wolf-Eckart Bühler e Sterling Hayden em Foco

O Farol do Caos

Um dos grandes "highlights" da Kino é a exibição de um documentário (Farol do Caos, 1983) e de um filme de ficção (O Náufrago, 1984) cujo denominador comum são o realizador Wolf-Eckart Bühler e o ator Sterling Hayden.

Promovido no início da sua carreira pela Paramount como "O Homem Mais Bonito do Cinema" e "O Belo Deus Viking Louro", Hayden interrompeu a sua carreira para combater na 2ª Guerra Mundial, regressando anos mais tarde com Chamas do Alvorecer (1947). Depois disso, trabalhou com grandes nomes da realização, como Robert Wise (Vida da Minha Vida, 1953), Nicholas Ray (Johnny Guitar, 1954), e Stanley Kubrick (Um Roubo no Hipódromo, 1956). Foi nesta época que se filiou no Partido Comunista norte-americano, mas durante o macartismo delatou alguns colegas e confessou a sua ligação aos comunistas, algo que viria a arrepender-se mais tarde.


O Náufrago

"São duas obras complementares, um documentário e uma ficção. O documentário surge por acaso. O realizador vai encontrar-se com o Sterling Hayden em França, numa barcaça onde ele passava metade do ano, um pouco fugindo do "barulho" de Hollywood, e propõe comprar os direitos da sua autobiografia dele, Wanderer, publicada nos anos 60", explica Carlos Nogueira, que acrescenta que nessa publicação, Hayden faz um mea culpa da atitude delatora que tomou durante o macartismo: "Ele foi um dos que denunciou colegas para não perder a carreira (...) O Wolf-Eckart Bühler queria comprar os direitos e - como estava com uma câmara - foi proposto que se começasse a filmar imediatamente este documentário. E assim foi...'O Farol do Caos' foi filmado em 5 dias, praticamente sem preparação, e é basicamente a câmara ligada com o Sterling Hayden a falar de tudo: a sua vida, a bebida, as mulheres, Hollywood. É um documentário absolutamente fascinante."

Já sobre O Náufrago, Nogueira diz que para além de estarem inseridas muitas coisas do documentário, "é um filme com muitas das marcas do cinema alemão da década de '80". "Para nós pareceu-nos fundamental ter os dois filmes e conseguimos que o realizador viesse, por isso é certamente um dos pontos mais altos da programação", concluiu.



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