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Atriz sul-coreana chama hipócrita ao Festival de Berlim pelo convite a Kim Ki-duk

 

Uma atriz sul-coreana - que mantém o anonimato - denunciou a "hipocrisia" do Festival de Cinema de Berlim por convidar um diretor que abusou do seu poder e agrediu-a, fisicamente e sexualmente, nas filmagens de um dos seus trabalhos. Em causa está o diretor sul-coreano Kim Ki-duk e Moebius, de 2013.

Segundo a atriz, Kim Ki-Duk deu-lhe um estalo e forçou-a filmar uma cena de nudez e sexo que não estava no guião. Em dezembro passado, Ki-Duk foi multado por este caso de agressão pelo Ministério Público de Seul, tendo de pagar pagar 5 milhões de won (3880 euros) de penalização. Num comunicado da sua produtora, Kim Ki-duk reconheceu o incidente, mas negou a agressão, adiantando que "não tinha nada pessoal contra a atriz".

Agora que o seu filme Human, Space, Time and Human terá estreia mundial na seleção "Panorama" da 68ª Berlinale, que abre na próxima quinta-feira, 15 de abril, a atriz veio a público dizer que "acha a decisão de convidar Kim profundamente triste e extremamente hipócrita".

"Kim foi condenado por me agredir fisicamente durante as filmagens. Mas a Berlinale desenrola o tapete vermelho enquanto elogia o seu apoio ao movimento #Metoo", o movimento global contra o assalto sexual e o assédio.

Recorde-se que há semanas atrás, Dieter Kosslick, diretor do Festival Internacional de Cinema de Berlim, revelou que descartou pelo menos cinco filmes da programação do evento pela existência de pessoas ligadas a essas produções que admitiram - nos últimos tempos - terem cometido abusos ou assédio sexual.

O diretor do certame sublinhou ainda a importância do debate aberto pela campanha #MeToo e afirmou que esse movimento vai estar presente também na Berlinale, esperando que não haja nenhum tipo de problemas associados aos outros filmes que vão ser exibidos.

Premiado em Cannes, Berlim e Veneza, Ki-duk sempre foi um cineasta controverso e independente da indústria coreana, tendo frequentemente os seus filmes sido apelidados de perturbadores, violentos e até misóginos.

Em Moebius o realizador explora a intimidade e os desejos sexuais de uma familia, apresentando mesmo uma mulher que acidentalmente inflinge uma ferida fatal no seu filho e um pai que corta os seus próprios genitais.



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