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Rindo à italiana: a sátira social de Dino Risi

Il Sorpasso
 
Ettore Scola era poético, Mário Monicelli mais humorista e Dino Risi (1916-2008) era um atacante, alguém com a capacidade de tocar o dedo nas fraquezas da realidade e algumas das suas tragédias”, observa ao C7nema Stefano Savio, diretor da Festa do Cinema Italiano.
 
O festival promove em Lisboa, entre 7 e 13 de abril, uma retrospetiva dedicada ao realizador que, especialmente nos anos 50 e 60, foi um verdadeiro rei das bilheteiras italianas. A mostra vai decorrer no cinema São Jorge e na Cinemateca Portuguesa incluirá dez títulos em cópias restauradas frutos de uma cooperação entre a Cinecittá e o MoMa de Nova Iorque.
 
Na comparação de Savio estão outros dois grandes mestres da Commedia dell’Italiana, que floresceu particularmente entre o final dos anos 50 e o início dos anos 70. Partilhando entre si argumentistas e atores que tornaram-se míticos (Alberto Sordi, Vittorio Gassman, Nino Manfredi e Ugo Tognazzi) o estilo legou uma série de clássicos que sobreviveram bem ao tempo.
 
O festival, aliás, é organizado por uma associação que leva o nome de um dos seus filmes mais famosos. “Il Sorpasso (A Ultrapassagem) é um filme que eu adoro, uma obra com um tema ainda hoje reconhecível”, assinala Savio.
 
Já os críticos da altura, imbuídos na seriedade, nunca gostaram de Risi – cujo talento só mais tarde foi reconhecido – seja no Festival de Cannes, em 1993, com uma retrospetiva e um Leão de Ouro pela sua carreira no Festival de Veneza em 2002.
 
 
Dino Risi
 
Pobre mas Bela
 
Nos anos 50 o cinema italiano experimentou um dos mais vigorosos renascimentos do pós-guerra na Europa e, entre o prestígio mundial do neorrealismo e surgimento de géneros que se tornariam brilhantes nos anos 60, surge um tipo de comédia distinta. Na sua base estava um singular cruzamento entre as energias e os tipos sociais do neorrealismo com as tradições do teatro italiano que remetia até aos renascentistas e a sua tradição greco-romana.
 
Poveri ma Belle (Os Galãs de Bairro), de 1957, que vinha da experiência de Risi com Luigi Comencini, de quem foi assistente, já trazia na sua abordagem uma transição que transferia elementos da poesia dramática do neorrealismo para o universo cómico – um ano antes do spoof noir de Mario Monicelli, I Soliti Ignoti, considerado o marco inaugural Commedia dell’Italiana.
 
Tanto esta obra como a sua sequela, Belle ma Povere (1958), tiveram as maiores bilheteiras dos respetivos anos.
 
 
Una Vita Difficile
 
Uma sátira mordaz
 
No final dos anos 50 a Itália experimentava um boom económico e um terreno fértil para exploração de personagens de diferentes classes no sentido de produzir sátiras sociais mordazes.
 
Il Vedovo (O Viúvo Alegre), de 1959, traz Sordi no papel de um empresário falido e interesseiro que pensa que a mulher morreu num acidente e projeta a sua vida depois de receber a herança.
 
Dois anos depois, Una Vita Difficile (Uma Vida Difícil), funde novamente tradições teatrais e literárias nas suas histórias com os tipos sofredores do pós-guerra típicos do neorrealismo e mostra a vida de um casal, que se conheceu durante a 2ª Guerra, e as suas enormes dificuldades em construir uma vida melhor.
 
Na era do “boom” dos “comentários sociais” I Mostri (Os Monstros), de 1963, reúne 20 histórias com durações diversas que fazem um ácido fresco sobre o país nos anos 60. Ainda nesta fase, em 1964, Risi aborda os imigrantes que vão para a América do Sul em Il Gaucho (O Gaúcho) e trabalha com Totó, o cómico mais famoso da Itália, em Operazione San Gennaro (Golpe de Mestre à Napolitana), numa história onde dois ladrões tentam um golpe… para comprar o passe de Eusébio!
 
 
Il Sorpasso
 
A classe média vai à praia
 
A mistura de “filme de praia” com road movie que Riso empreendeu a seguir tornou-se um dos grandes momentos da sua carreira e um dos seus trabalhos mais influentes. Il Sorpasso (A Ultrapassagem), de 1962, tem como símbolo o seu famoso descapotável dirigido por Vittorio Gassman, um playboy de 40 anos decidido a manter-se jovem a qualquer custo. No seu caminho para a praia num dia de férias, arrasta consigo o jovem Jean-Louis Trintignant – atacando a vários níveis – seja no confronto de gerações seja na crítica ao consumismo a uma Itália em plena força económica.
 
Perfume de mulher
 
No final dos anos 60 o cinema em geral começa a direcionar-se para o soft porn e Dino Riso aparece com Vedo Nudo (Vejo tudo Nu), em 1969, uma comédia erótica que tornou-se um gigantesco êxito de bilheteira em Itália. Dividido em sete partes, o filme tem como elo entre elas o ator Nino Manfredi.
 
Num registo mais sério Risi teve um sucesso que ultrapassou as fronteiras italianas em 1974 com Profumo di Donna (Perfume de Mulher, que recebeu duas nomeações nos Oscar), sobre um pacto suicida entre dois oficiais do exército que teria um remake famoso em 1992, com Al Pacino no protagonismo.
 
O último trabalho do cineasta exibido na Festa do Cinema Italiano é Sono Fotogenico, de 1980, onde ele exibe com cinismo todo o seu desencanto pelo meio cinematográfico.
 
 
Profumo di Dona
 
 
 


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